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Bolsa Família é eleitoreiro, diz Cristovam Buarque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O senador Cristovam Buarque, candidato do PDT à Presidência da República, disse que o programa Bolsa Família, do governo federal, é eleitoreiro. Buarque criticou o que considera modificações no que era originalmente chamado de Bolsa Escola, criado por ele quando governador do Distrito Federal. Foi um erro, na avaliação dele, transformar o programa que era um programa de estímulo à educação dos filhos num programa assistencialista. “Virou um programa eleitoreiro, e em vez de permitir que a criança estude, agora só permite que a família sobreviva”, afirmou Buarque numa entrevista a jornalistas estrangeiros, nesta terça-feira, em Brasília. Buarque disse que, se for eleito, vai garantir que as famílias tenham que porovar que os filhos estão freqüentando a escola para receber o benefício. O senador considera que, por causa da amplitude do atual Bolsa-Família, essa exigência deixou na prática de ser cumprida, o que estaria prejudicando o objetivo inicial do projeto. Com isso, ele estima que os beneficiários diminuiriam dos atuais 11 milhões de família para cerca de 8 milhões, num programa administrado pelo Ministério da Educação. “Os outros 3 milhões seriam atendidos por um programa social”, afirma. “A escola é que emancipa a criança. O Bolsa Família não.” Embora o programa ainda exija oficialmente a comprovação da frequência à escola, Buarque diz que na prática esta obrigação foi abolida depois que o Bolsa Família unificou todos os programas de complementação de renda do governo federal. "Concertação política" Seu primeiro ato na Presidência, se eleito, tentaria fazer o que chamou de uma "grande concertação política" para cuidar dos temas da educação e da “guerra civil”. “Se eu fosse eleito, no primeiro dia de governo, com minoria no Congresso, eu reuniria as lideranças para propor uma grande concertação para um grande para educação e para atacar a guerra civil.” O candidato do PDT considera a situação atual da violência no país “uma guerra civil entre bandidos e policiais, com a população sofrendo no meio”. Ele acha que é possível mobilizar os congressistas, mesmo os de oposição, para que se unam em torno desses dois assuntos. “Nos outros, a oposição continua, mas se conseguirmos uma união nesses temas podemos fazer uma revolução”, afirma. Buarque se diz satisfeito por ter conseguido, segundo ele, colocar a educação no centro da campanha presidencial. “Já me sinto vitorioso por ter pautado o debate”, afirmou. Mas ele diz que os dois principais adversários – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin – não estão qualificados para discutir o assunto e na avaliação dele não convencem quando prometem prioridade para a educação. “Um (o PSDB) ficou lá oito anos e o Brasil ficou pra trás”, afirma. O PT, diz ele, “comemora a mediocridade” de resultados que melhoraram o país, mas não o suficiente. Risco para o PDT Com apenas 1% de intenção de voto, de acordo com as pesquisas, e apenas dois minutos e meio de tempo na TV, o PDT corre até o risco de ficar de fora da representação no Congresso, se não conseguir 5% dos votos no país, como prevê a cláusula de barreira. Na eleição passada, o partido obteve 5,5% dos votos, mas Buarque diz que o fato de ter lançado candidato próprio deve aumentar a votaçao. Buarque - que já foi reitor da Universidade de Brasília antes de ser governador do Distrito Federal – defende a federalização da educação básica na formação do professor e nos métodos de ensino, com gerenciamento descentralizado nos Estados e municípios. Ele também diz que é preciso ampliar o orçamento atual do governo federal para o setor, hoje em torno de R$ 6 bilhões, para R$ 13 bilhões. “Precisamos fazer uma revolução na educação, para que o Brasil saia da economia da indústria mecânica para a indústria do conhecimento.” Apesar das críticas à educação, Buarque defende a política externa do governo atual e diz que, se fosse eleito, não faria mudanças profundas na economia. “O eixo não é a economia, é o orçamento”, afirma. “Os pilares de uma economia aberta, responsabilidade fiscal, vão ficar aí por muito tempo ainda.” Na política externa, ele defende a ênfase à relação Sul-Sul, mas aponta erros de diplomacia, como a prioridade à campanha por um vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU em detrimento de uma melhor relação com a Argentina. O candidato do PDT também disse que o governo fez bem em resistir à Alca, mas considera a integração inevitável. As denúncias de corrupção no governo atual, segundo ele, não serão tema de sua campanha. “Isso é a podridão da superfície, eu vou cuidar das estruturas." | NOTÍCIAS RELACIONADAS Para Alckmin, Lula tem 'obsessão' com Conselho da ONU11 julho, 2006 | BBC Report Em Lisboa, Alckmin promete redução de impostos10 julho, 2006 | BBC Report Lula pode gastar até R$ 89 mi; PSDB, R$ 85 mi05 julho, 2006 | BBC Report Lula inicia campanha forçando comparação com FHC25 junho, 2006 | BBC Report Para El País, 'populismo' de Lula preocupa 03 julho, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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