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"Efeito Klinsmann" muda a Alemanha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A grande euforia causada pela Copa e pelo desempenho da seleção da casa mudou a Alemanha. À frente dessa transformação está o técnico Jürgen Klinsmann, que conseguiu empolgar o país depois de começar o torneio desacreditado. No começo de sua carreira como técnico da Alemanha, poucos levavam Jürgen Klinsmann a sério. O ex-atacante da seleção alemã campeã de 1990 foi duramente criticado por morar na Califórnia e trazer um preparador físico americano para cuidar dos jogadores. O sucessor do popular Rudi Voeller no cargo de técnico da Alemanha queria renovar o futebol do país. Para isso descartou jogadores mais velhos, trocou a comissão técnica, pôs o todo-poderoso goleiro Oliver Kahn no banco e chegou até a sugerir que um técnico de hóquei assumisse o posto de coordenador técnico da Associação Alemã de Futebol. Com isso, acabou fazendo vários inimigos. Desacreditado Quando a Copa começou, Klinsmann estava completamente desacreditado – principalmente depois de seu time ser humilhado pela Itália semanas antes em um amistoso em Florença, quando perdeu por 4 a 1. Ninguém supunha que a Alemanha acabaria chegando entre os quatro melhores times do torneio. Foi aí que o “efeito Klinsmann” começou a surtir: O técnico moldou um time competitivo e motivou seus jogadores. Mesmo sem contar com grandes estrelas a equipe mostrou raça e vontade de ganhar e empolgou a torcida. Foi o começo da grande euforia, o empurrão inicial que os alemães precisavam para cair na folia e fazer uma grande festa durante quatro semanas. Nunca se viu algo igual na história recente do país. “Quando o muro de Berlim caiu, a festa foi grande”, comenta a revista alemã Der Spiegel. “Mas a festa da Copa é maior, já que agora comemoramos com o mundo todo.” Estereótipo Durante a Copa os alemães comprovaram um clichê: são extremamente organizados, como mostraram os estádios e a perfeita infra-estrutura. Por outro lado, para surpresa da própria nação, destruíram outro estereótipo: o que diz que alemães são frios e não sabem mostrar suas emoções. Milhões de pessoas viram os jogos em telões espalhados pelo país, comemoraram e choraram juntas. Só em Berlim um milhão de torcedores se reuniram no centro da cidade durante os jogos da Alemanha. Nunca se viram tantas bandeiras alemãs desfraldadas no país – e tão pouca gente preocupada com esse gesto espontâneo ser um sintoma da volta do nacionalismo negativo dos neo-nazistas, o que não era. Mesmo times pequenos, como Angola, Togo ou Trinidad e Tobago foram recebidos euforicamente nas cidades em que ficaram hospedados. A Alemanha ficou mais colorida com a presença de milhões de torcedores estrangeiros. A violência fora dos gramados foi mínima. O terremoto de espontaneidade durante o torneio mudou o país, e seu epicentro foi Klinsmann. Isso é admitido até por seus críticos de outrora, como o presidente do comitê organizador da Copa Franz Beckenbauer. “Klinsi”, como é chamado pela torcida, já recebeu um convite para continuar no comando da seleção, mas diz que ainda não se decidiu. Uma pesquisa do canal de TV alemão ARD mostra que 92 por cento dos alemães querem que Klinsmann continue como técnico. Segundo o influente jornal semanal Die Zeit, Klinsmann “deixa uma mensagem para todos os alemães: acreditem no que fazem, arrisquem novas perspectivas e não tenham medo de inovar.” “Antes do verão que mudou as nossas vidas, ninguém sabia que a sociedade alemã podia mostrar tanto entusiasmo”, diz o semanário, geralmente conhecido por ser bastante sóbrio. A Copa entra na história alemã como um período em que a nação deixou de ser tão sisuda como era e embarcou em uma aventura, a de se deixar levar pelo entusiasmo com o time de Klinsmann. Apesar da decepção com a derrota frente à Itália nos últimos minutos da prorrogação, o torneio deixa um gosto doce na boca dos alemães. |
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