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Meio-campo da França e defesa da Itália decidirão a Copa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em uma Copa do Mundo com pouco espaço para os atacantes, a decisão do próximo domingo, em Berlim, vai premiar a forte defesa italiana, que sofreu apenas um gol no torneio, ou o "futebol total" do meio-campo francês, que une força, técnica e velocidade. A equipe italiana chega com um retrospecto melhor para a final por ter marcado 11 gols em seis jogos (média de 1,83 gol por partida). Além disso, dez dos 23 jogadores da Itália balançaram as redes no Mundial. Mas, em meio aos gols do artilheiro Toni, do ídolo Totti e de reservas de luxo como Del Piero e Inzaghi, a presença ofensiva dos laterais Zambrotta e Grosso e o aproveitamento do zagueiro reserva Materazzi nas bolas aéreas foram marcantes na campanha italiana. Materazzi fez, de cabeça, o primeiro gol na vitória sobre a República Tcheca, na primeira fase. Zambrotta abriu caminho para a vitória nas quartas-de-final diante da Ucrânia. E Grosso marcou o primeiro gol da classificação para a final contra a Alemanha. Ao mesmo tempo em que colabora com o ataque, a defesa italiana tem sido uma verdadeira muralha na Copa. A base formada pelo goleiro Buffon e pelos zagueiros Cannavaro e Nesta esbanja talento em posicionamento e antecipação das jogadas. Uma boa mostra da eficiência da defesa italiana é a indicação de Buffon, Zambrotta e Cannavaro, além do meia Pirlo, como candidatos ao troféu de melhor jogador da Copa. Buffon tem justificado a fama de ser um dos melhores do mundo na posição com importantes e difíceis defesas em momentos decisivos. E, mesmo com a contusão de Nesta, o capitão Cannavaro tem sido provavelmente o melhor jogador da equipe. A Itália ainda pode se orgulhar de não ter tomado nenhum gol de jogadores adversários. O único gol sofrido pela equipe foi um gol contra marcado pelo lateral reserva Zaccardo no empate de 1 a 1 com os Estados Unidos ainda na primeira fase do torneio. Zizou e companhia Para furar a defesa italiana, a França conta com um dos melhores atacantes do mundo: o rápido e habilidoso Thierry Henry, autor de três dos oito gols marcados pelos franceses no Mundial, incluindo o que provocou a eliminação do Brasil, nas quartas-de-final. Mas Henry costuma atuar sozinho no ataque e ainda não repetiu na Alemanha as atuações decisivas que o tornaram ídolo no Arsenal. Para brilhar, o atacante depende do grande trunfo dos franceses: o compacto meio-campo liderado pelo genial Zidane. Depois de uma campanha medíocre na primeira fase, com empates contra Suíça e Coréia do Sul e apenas uma vitória, diante de Togo, que garantiu a classificação em segundo lugar do grupo, a França ganhou força a partir das oitavas-de-final, quando passou a adotar a atual formação no meio-campo. O esquema conta com aquela que é provavelmente a melhor dupla de volantes do mundo. Makelele e Vieira combinam o poder de desarme e marcação do primeiro com a força física, a habilidade técnica e a visão de jogo do segundo. Nas alas, os jovens e velozes Malouda e Ribery têm a função de dar rapidez aos contra-ataques e opções para os passes de Vieira e Zidane, o maestro e craque da equipe. Dono de uma categoria incomparável no futebol atual para dominar e proteger a bola, Zidane é o jogador com potencial para desequilibrar uma partida como fez contra a Seleção Brasileira no último sábado e também na decisão da Copa de 1998. Além do talento indiscutível, o craque francês demonstra um poder de decisão que faz dele um tipo de jogador que cresce nos momentos mais dramáticos. E a partida contra a Itália terá, para Zidane, um significado especial: o ídolo da França planeja encerrar a carreira depois da decisão da Copa. Lippi x Domenech Para a final de domingo, o desafio do treinador italiano Marcello Lippi e do francês Raymond Domenech é exatamente anular os pontos fortes do rival e encontrar uma maneira de furar o bloqueio adversário. A receita da França é insistir no modelo que funcionou contra Espanha, Brasil e Portugal: criar um bloco defensivo compacto, tocar a bola com paciência e explorar as brechas deixadas pela Itália com os lançamentos de Zidane e a velocidade de Henry. Já a seleção italiana terá a difícil tarefa de manter a sobriedade defensiva que caracteriza a equipe e, ao mesmo tempo, buscar algo que os italianos só encontraram nas semifinais contra a Alemanha: o ímpeto de ir em busca de um gol com a mesma determinação com que costumam tentar evitá-los. E se a defesa italiana é uma muralha, a equipe francesa ganhou consistência durante o torneio com a segurança dos zagueiros Thuram e Gallas. Em toda a Copa, a França sofreu apenas dois gols. Por isso, cresce para Lippi a importância de Francesco Totti, o homem com a função de ser o principal articulador das jogadas de ataque italianas. Com o apoio do eficiente Pirlo e do incansável Gattuso, Totti terá de fazer na final aquilo que ainda não fez na Copa: assumir o controle do jogo e ditar o ritmo da partida, mesmo diante da forte marcação de Makelele. Em qualquer eventualidade, Lippi pode lançar mão de um banco de reservas privilegiado em termos de atacantes. Na semifinal contra a Alemanha, Lippi não pensou duas vezes em reforçar o poderio ofensivo da seleção, com a entrada de Iaquinta e Gilardino, além do veterano Alessandro Del Piero, autor do segundo gol italiano. |
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