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Atualizado às: 07 de junho, 2006 - 23h43 GMT (20h43 Brasília)
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'Instabilidade é menor do que se pinta', diz Mantega
O Ministro da Fazenda, Guido Mantega
O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, minimizou o atual clima de instabilidade nos mercados financeiros internacionais. "O problema é menor do que está sendo pintado", disse Mantega em Paris.

Mantega fez uma escala na capital francesa antes da reunião de ministros da Economia do G-8, o grupo de sete países mais ricos do mundo e a Rússia, em São Petersburgo na próxima sexta-feira e sábado, à qual o Brasil participa como convidado.

O nervosismo nos mercados internacionais foi provocado pelo discurso de Ben Bernanke, presidente do Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, que foi interpretado por analistas como uma indicação de que o Fed elevaria suas taxas de juros no final do mês.

"Não é uma crise de grandes proporções. Não vejo como uma crise no sistema financeiro internacional. O risco é pequeno e isso não irá muito adiante", disse Mantega, que qualificou a onda de pessimismo que fez as bolsas do mundo todo despencarem na última terça-feira de "turbulência leve".

Risco maior

Segundo o ministro, o risco é maior para os países que registram déficits em suas transações correntes e que precisam de capital externo para fechar suas contas, como a Turquia.

"Esses países sofrem um abalo maior quando há uma revoada dos capitais internacionais investidos em mercados emergentes para títulos mais seguros."

Já o Brasil, diz o ministro, está "numa situação muito confortável". Isso porque o país tem uma posição sólida de suas contas externas e excedente de capital externo, afirmou Mantega.

"O Brasil está gerando divisas e isso não ocorre a partir de capital especulativo de curto prazo, mas sim em razão do faturamento do comércio exterior e dos investimentos realizados no país", afirmou.

Até o final deste mês, o Brasil deverá quitar valores residuais de sua dívida com o Clube de Paris, disse o ministro da Fazenda, que discutiu o assunto na capital francesa com representantes da embaixada brasileira que têm mantido contatos com o grupo.

Pagamento antecipado

Em fevereiro deste ano, o Brasil pagou antecipadamente sua dívida de US$ 1,7 bilhão com o Clube de Paris, que reúne os países credores. Segundo Mantega, falta apenas cerca de 1% desse valor, cerca de US$ 17 milhões, devidos a diferentes países credores.

"Nós temos dinheiro para pagar. Só falta concluir os cálculos com o clube em relação aos juros que devem ser aplicados em razão do pagamento antecipado da dívida."

O Brasil, afirmou o ministro, ainda está analisando as vantagens e restrições de se tornar membro permanente desse grupo de países credores. "Estamos analisando com cautela para ver se é positivo ou não. A decisão deve sair nas próximas semanas."

"Passamos de devedores a credores", disse ele, em referência a créditos que o Brasil tem com países como Angola e o Iraque.

De acordo com Mantega, a França apóia a entrada do Brasil como membro permanente do clube de Paris. O tema será discutido em um encontro com o ministro francês da Economia, Thierry Breton, em São Petersburgo.

Na cidade russa, Mantega também terá encontros bilaterais com o ministro russo das Finanças e com o secretário do Tesouro norte-americano, John Snow, além de uma reunião com os ministros da Fazenda da Índia e da China.

O ministro Mantega embarca nesta quinta-feira pela manhã a São Petersburgo.

JornaisWall Street Journal
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