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Atualizado às: 07 de junho, 2006 - 00h11 GMT (21h11 Brasília)
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Reação do Irã gera raro otimismo sobre a crise nuclear

Javier Solana
Javier Solana afirma que quer 'novo relacionamento' com o Irã
A reação do Irã às propostas levadas nesta terça-feira à Teerã pelo representante da União Européia, Javier Solana, trouxe um raro otimismo sobre a crise em torno do programa nuclear iraniano.

Mas observadores advertem que, embora o Irã tenha se comprometido a examinar o pacote de incentivos oferecidos pela comunidade internacional, ainda vai ser muito difícil conseguir oferecer vantagens e garantias suficientes para que os iranianos desistam de vez do programa de enriquecimento de urânio, um dos temas mais controversos desta crise.

"É possível que o Irã aceite alguma limitação de seu programa nuclear enquanto as negociações estejam acontecendo, mas tentar colocar a suspensão definitiva do enriquecimento de urânio como pré-condição para discussões é algo que certamente não vai ser aceito", diz o cientista político da Universidade de Teerã, Nasser Handian.

Os termos da proposta levada por Javier Solana ao Irã não foram divulgados. O principal negociador do programa nuclear iraniano, Ari Larijani, classificou o documento de "positivo" mas ainda com muitas "ambigüidades".

Analistas ocidentais dizem que os dois lados parecem estar tentando chegar a uma solução que seja satisfatória e ao mesmo tempo "mantenha as aparências" dos dois lados, depois de meses de uma amarga disputa.

Diplomacia

"Nos últimos dois meses parece ter havido uma intensificação nos contatos diplomáticos com uma negociação discreta e gradual. Agora estas negociações parecem estar dando frutos e os dois lados tem que encontrar uma maneira de chegar a um acordo mas ao mesmo tempo evitando dar a impressão de que tiveram que ceder demais", diz a ex-inspetora e armas da ONU e pesquisadora do Instituto Real de Relações Internacionais, de Londres, Olivia Bosh.

O tom da resposta que o Irã vai dar à proposta da comunidade internacional ainda depende muito, no entanto, da dinâmica interna do governo iraniano.

"Há uma disputa grande entre os conservadores que querem uma atitude mais rígida e os reformistas que querem evitar confrontos com o ocidente", diz o professor da Universidade de Teerã, Sadeq Zibakalam.

E um grande problema segundo analistas é que o Ocidente tem pouco conhecimento aprofundado da política interna do Irã.

"É difícil para os Estados Unidos tentarem saber quais vão ser as atitudes do Irã simplesmente porque não há informações suficientes sobre as disputas de poder dentro do Irã. A falta de informações é um problema antigo na definição das políticas em relação ao Irã", observa o analista sênior de segurança do Centro para o Progresso Americano, de Washington, Andy Grotto.

Armas

O editor-chefe do jornal Iran News, editado em Teerã, Shizad Bozorgmehr, diz que não vê agora "nada que o Ocidente possa oferecer convencer o Irã a abandonar em definitivo o programa de enriquecimento de urânio".

"Para que algo assim aconteça tanto os Estados Unidos quanto o Irã têm que mudar radicalmente suas posições", avalia.

Nasser Handia diz que para isso o Ocidente tem que oferecer garantias econômicas, tecnológicas e de segurança.

"As questões de segurança são as mais complicadas. Tem a ver, por exemplo, com o número de bases americanas no Oriente Médio e o exemplo do que acontece no Iraque", diz.

Ataque

Andy Grotto acredita que para negociações mais aprofundadas serem bem sucedidas, os americanos têm que dar indicações mais claras de que qualquer idéia de mudança de regime ou ação militar no Irã está descartada.

"Não acho que essa seja uma hipótese encarada com muita seriedade pelo governo ou que esteja sendo discutida de maneira concreta. Mas há os elementos mais radicais do governo que sempre deixam aberta esta opção, como uma ameaça", diz.

Shizad Bozorgmehr diz que nas ruas de Teerã não se sente receio da população com alguma ação militar americana.

"A impressão que se tem daqui é que os americanos não têm a menor condição de atacar o Irã. Basta ver os problemas que eles têm no Iraque", diz.

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