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Atualizado às: 02 de junho, 2006 - 01h36 GMT (22h36 Brasília)
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Análise: Oferta de diálogo pode ser última cartada diplomática

Iraniano
Iranianos foram às ruas para defender programa nuclear
A oferta americana de negociar diretamente com o Irã representa uma grande mudança na política dos Estados Unidos em relação ao país, mas não significa uma solução imediata para a crise.

Há dois cenários à frente. Um é benigno, outro, maligno.

No primeiro, o grupo liderado pela secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, ganhou a vez em Washington.

Isso, acredita-se, levará a uma negociação direta com o Irã, que concordará em acabar com o seu programa de enriquecimento de urânio.

Em troca, o país receberá uma série de benefícios, incluindo ajuda com a geração de energia nuclear e concessões comerciais.

No segundo cenário, os durões de Washington concordaram com a atual retórica para poder defender melhor o argumento de uma ação militar mais tarde.

Eles acreditam que essa iniciativa não levará a nada porque o Irã não irá negociar seriamente mesmo se concordar em conversar. E quando as negociações fracassarem eles poderão dizer que fizeram o esforço.

Condoleeza Rice
Rice está pronto para negociações diretas

Em qualquer um desses dois cenários, esta é provavelmente a última cartada diplomática.

Opções

O pacote de propostas a ser apresentado ao Irã está sendo preparado por Estados Unidos, Rússia, China e mais três países da União Européia que vêm negociando sem sucesso com o governo iraniano - Grã-Bretanha, França e Alemanha.

Ainda não se sabe se esses países irão concordar coletivamente em impor sanções ao Irã caso o governo não cumpra o exigido na barganha.

Pode ser que os Estados Unidos irão liderar uma coalizão com seus aliados se não houver acordo com a Rússia e a China, dois países que se vêm se opondo à aplicação de sanções.

É possível que o Irã concorde em explorar a idéia de negociações, ainda que a sua resposta inicial tenha sido de dizer que as conversas serão aceitas, mas que a suspensão do enriquecimento de urânio não é uma opção. Se essa atitude continuar, não haverá negociações.

Técnicos iranianos em Isfahan
Programa nuclear iraniano levanta suspeitas

Por outro lado, parece que o Irã atingiu um certo estágio no seu programa de enriquecimento e o próximo passo requer muito trabalho.

O Irã já suspendeu o seu programa no passado, para negociar com os três países europeus, então há precedentes.

Ambição

Mas isso não significa que o Irã estará preparado para abandonar totalmente o enriquecimento de urânio.

A política do Irã tem sido baseada na sua ambição. O governo tem realizado o programa de enriquecimento como um símbolo do desejo do país de ter um futuro em que as tecnologias atuais sejam dominadas.

Para acabar com isso agora seria necessária uma mudança nessa política.

Comparada com isso, a oferta americana não representa quase nada.

O Centro de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Brandies, nos Estados Unidos, publicou recentemente uma análise sobre a posição iraniana dizendo que a estratégia do Irã de suspensão e negociação é cuidadosamente desenvolvida para evitar confrontos e dar tempo para que o trabalho técnico seja realizado.

Discurso

No estudo, o professor Chen Kane analisou um discurso feito pelo ex-negociador iraniano Hassan Rohani no fim de 2004.

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad
O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad tem se recusado a interromper o programa

O discurso, segundo o professor Kane, "reforça o ponto de vista mais cínico tido por alguns no Ocidente de que o principal objetivo do Irã ao negociar com os Estados Unidos é simplesmente ganhar tempo".

"Rohani confirmou a avaliação de que o Irã havia usado a atmosfera de calma em torno das negociações como uma cortina atrás da qual continuava com o seu programa deliberadamente".

É interessante notar que o ponto de vista de Rohani quase que reflete exatamente o de negociadores europeus, que afirmam que as negociações que tiveram com o governo iraniano fizeram com que o programa se tornasse mais lento.

Diplomatas dos dois lados estão dizendo que as suas táticas foram bem-sucedidas, como normalmente é o caso.

Dois cenários

O negociador para o Oriente Médio do ex-presidente Bill Clinton, Dennis Ross, que defendeu negociações diretas entre os Estados Unidos e o Irã, diz que o ponto de conflito será a exigência americana para que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio.

Falando durante uma visita a Londres na quarta-feira, ele disse que Washington teve que recuperar a iniciativa e que isso iria forçar os iranianos a "descobrir o que fazer".

Ele afirmou, no entanto, que negociações não levarão necessariamente a uma solução.

Ele mesmo apresentou dois cenários - um no qual o presidente americano George W. Bush não irá querer deixar o poder sabendo que um dos países que ele colocou no "eixo do mal" tenha desenvolvido a capacidade de fabricar armas nucleares.

No outro, sabendo que a sua posição dentro de casa é fraca e que atacar o Irã iria provocar caos e violência, Bush poderia deixar a questão do Irã para o seu sucessor.

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