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Atualizado às: 02 de junho, 2006 - 17h41 GMT (14h41 Brasília)
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Humala aposta no voto 'envergonhado'

Ollanta Humala
Ollanta prometeu reduzir preços de serviços
O presidenciável Ollanta Humala, do partido União pelo Peru (UPP), encerrou sua campanha apostando no 'voto envergonhado' e fazendo um apelo aos peruanos, às vésperas do segundo turno das eleições, para que não temam sua vitória nas urnas.

“Quero pedir que nesse dia 4 de junho a esperança possa vencer o medo”. A frase fez alguns analistas peruanos lembrarem do slogan do PT – “sem medo de ser feliz”, apesar de Humala não ter se referido abertamente ao presidente Lula ou ao Partido dos Trabalhadores.

Segundo analistas, Humala pode receber um percentual de votos maior do que o esperado. "É o que chamamos de 'voto enevergonhado'", disse o analista Alfredo Torres, do Instituto Apoio e Opinião, de Lima.

De acordo com Torres e outro analista, Manuel Saavedra do Instituto CPI, muitos peruanos tem vergonha de admitir que votarão no ex-militar, acusado de propostas 'radicais', como a nacionalização de diferentes setores, e das declarações polêmicas de membros de sua família.

São pessoas que não votaram em Humala no primeiro turno, mas que preferem ele ao seu oponente, o ex-presidente Alan García.

"Quanto mais os veículos de comunicação batem nele, mais aumenta o percentual dos que se identificam com Humala, achando que ele é o representante anti-sistema", disse Torres.

Ex-militar, de 42 anos, Humala esteve à frente das pesquisas de opinião no primeiro turno, mas agora, segundo instituto Apoyo, entre outros, perderia para García.

Na contagem regressiva para as eleições, Humala pediu “calma” a seus seguidores no domingo, dia das eleições. Mas foi mais um dia de fortes boatos, na capital do país, e comentários nas emissoras de rádio e de televisão sobre o temor de que este domingo seja marcado por agressão entre eleitores dos dois candidatos, como ocorreu no fim de semana passado.

“Quero denunciar que um dos dirigentes do nosso partido, na localidade de Ayacucho, foi agredido, em casa, e tem várias costelas quebradas”, disse, na quinta-feira, numa entrevista à imprensa, acusando seguidores do seu concorrente, Alan García.

“Eu vou responsabilizar politicamente o Ministério do Interior se houver violência no dia da eleição”, ressaltou Humala.

Segundo o historiador Cristóbal Alijovín, entrevistado pelo jornal La Republica, “a guerra suja sempre fez parte das campanhas eleitorais no Peru”.

Guerrilheiros

Humala devolveu as acusações feitas pelo seu concorrente nesta disputa, Alan García, do APRA (Partido Aprista Peruano).

“Ele ainda não explicou se é ladrão ou não”, disse Humala, referindo-se às denúncias contra o ex-presidente García, que governou o país entre 1985 e 1990. “Senderista é ele”, afirmou na entrevista à imprensa.

Minutos antes, Alan García afirmara que Humala fez um discurso (o penúltimo de campanha, na quarta-feira à noite) “senderista” e “violento”.

As palavras referiam-se ao grupo guerrilheiro “Sendero Luminoso” que se expandiu, como recordam analistas como Carlos Aquino, da Universidade de San Marco, na reta final do governo García.

Segundo a imprensa peruana, Humala lutou contra os guerrilheiros, nos anos 90, no departamento (estado) de Huánuco, onde foi acusado de cometer crimes relativos a direitos humanos contra pessoas comuns.

O pai de Humala, Isaac, declarou, antes do primeiro turno das eleições, no dia 9 de abril, que o “verdadeiro peruano” é o índio e que o branco é um “fracassado”. São atribuídas a ele, de acordo com a imprensa, críticas também aos homossexuais.

Para diferentes analistas peruanos, as informações contribuíram para tirar Humala da liderança das pesquisas de opinião, antes mesmo da campanha eleitoral do segundo turno.

Nas últimas horas, o candidato passou a insistir que não há porque temê-lo. “Eu sou a mudança e Alan está apenas mais gordo e com cabelos brancos, mas é o mesmo que deixou o país naquela situação”, disse, referindo-se à gestão do adversário.

“Títere”

O ex-presidente já havia acusado Humala de liderar rebeliões militares, de ser “ditador” e “títere” do presidente venezuelano Hugo Chávez.

A guerra de insultos entre os dois presidenciáveis foi intensificada essa semana, quando surgiram versões, nos dois comitês de campanha, de que teria caído de 20% para 10% a diferença de intenção de votos entre Alan García e Humala. Quando perguntado de quanto poderia ser o resultado final, García abriu as duas mãos para dizer que de 10%.

Na tentativa acelerada de reconquistar eleitores e apostando, como observou um de seus assessores, no “voto envergonhado”, Humala disse, na entrevista coletiva, que se eleito vai reduzir os preços dos serviços como gás e levar água encanada aos lugares carentes.

De camiseta vermelha – sua marca de campanha -, o presidenciável insistiu que mudará a Constituição, “distribuindo melhor os poderes”, caso chegue ao palácio presidencial de Miraflores.

Esta é uma campanha que vem sendo marcada, principalmente, pela guerra verbal entre os candidatos e as propostas – muitas semelhantes – mal estão sendo debatidas.

Na quinta-feira, o jornal Correo, de Lima, publicou, na primeira página, acompanhada de letras garrafais, uma fotomontagem de Ollanta Humala vestido com roupa militar e com um bigode do ex-ditador alemão Adolfo Hitler.

Indignado com esta e outras capas, Humala citou, em público, o nome de vários veículos de comunicação que, segundo ele, pretendem dificultar sua eleição.

Na prática, até agora os dois programas de governo têm poucas diferenças.
Entre os objetivos comuns dos candidatos da APRA e da UPP estão a meta de 7% de crescimento e incentivos aos setores que ainda não foram beneficiados pela expansão econômica.

Os dois presidenciáveis falam em “nacionalização”, mas temendo, como reconheceram economistas das duas equipes, despertar temor pelo “efeito Bolívia”, eles negam que o interesse seja “confiscar”. A expectativa é de que os detalhes das medidas sejam conhecidos apenas depois do pleito.

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