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Atualizado às: 01 de junho, 2006 - 16h18 GMT (13h18 Brasília)
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Diálogo com Irã foi opção que restou, dizem analistas

Condoleezza Rice
Rice está em Viena para discutir negociações com Irã
Os Estados Unidos se curvaram ao interesse internacional ao retomar o diálogo com o Irã para a resolução do impasse nuclear com o país asiático, na opinião de analistas ouvidos pela BBC Brasil.

O jornalista norte-americano Mark Hibbs, diretor na Europa do jornal Nucleonics Week, disse que a diplomacia é a única opção que restou ao governo de George Bush.

"Os Estados Unidos tentaram nos últimos três anos arregimentar outras potências mundiais para a idéia de impor sanções ao Irã, mas não obtiveram sucesso", disse Hibbs.

"A retomada do diálogo mostra que eles não têm mais cartas na manga para jogar”, afirmou ele.

Heinz Gärtner, diretor do Instituto Austríaco de Política Internacional, disse que o confronto entre EUA e Irã “é o de um poder regional com um poder global". "O Irã quer ter a hegemonia do poder na região e isto é algo que os norte-americanos não tolerariam em termos de Oriente Médio", disse ele.

"Nesta situação, a paciência dos Estados Unidos não vai durar para sempre".

O governo americano mudou o tom de seu discurso em relação ao Irã e, nesta semana, aceitou manter negociações diretas com o país sobre seu programa nuclear, sob a condição de que o governo iraniano suspendesse o enriquecimento de urânio.

A secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice está reunida em Viena nesta quinta-feira com os representantes dos outros países membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mais o da Alemanha, para discutir essas negociações.

A atitude do governo norte-americano surpreendeu ao diretor do Instituto de Estudos Iranianos da Academia Austríaca de Ciências, Bert Fragner. “É espantoso que os EUA queiram retomar o diálogo. O presidente anterior do Irã, Mohammad Khatami, tentou contato diplomático com eles por várias vezes, sem sucesso".

"Mas já estava na hora das duas partes conversarem embora, depois de George Bush ter colocado o Irã entre os países de um suposto ‘eixo do mal’, creio que será difícil o sucesso das negociações”, disse Fragner.

Os analistas ouvidos pela BBC não acreditam que o confronto com o Irã possa resultar em uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos.

"Mesmo alguns críticos de uma possível intervenção militar acham que um ataque poderia ocorrer já no segundo semestre, mas eu não acredito nisto", disse Heinz Gärtner.

"Há rumores de que Rússia e China estariam prontas para apoiar sanções, mas há um consenso internacional de que é necessário se esgotar todos os canais diplomáticos. Por isso, essa questão deve se estender ainda por muito tempo”, analisou.

Mark Hibbs disse que "uma intervenção militar não é um consenso até mesmo dentro do próprio governo norte-americano", disse Mark Hibbs.

Do outro lado, nenhum especialista arriscou qual será a reação de Teerã diante do pacote que deve lhe será apresentado após o encontro desta quinta-feira, na qual a União Européia se comprometeria a ajudar o país em termos econômicos e de utilização da energia nuclear de maneira pacífica.

“No fundo, o Irã não é tão corajoso diante da possibilidade de receber sanções, tanto que está se esforçando ao máximo para tirar o assunto do Conselho de Segurança e devolver a mediação para a Agência Internacional de Energia Atômica. Mas não dá para saber se eles vão aceitar as medidas oferecidas”, diz Gärtner.

O teor desta proposta será decisivo para a resposta iraniana, aponta Fragner. “A política externa é muito importante para a situação interna do Irã. Para saber como eles reagirão, é preciso saber antes como as propostas do encontro vão repercutir no país”.

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