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Atualizado às: 31 de maio, 2006 - 17h04 GMT (14h04 Brasília)
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Novos distúrbios em Paris expõem falta de solução nas periferias

Policiais franceses observam veículo a que manifestantes atearam fogo em Montfermeil, no norte de Paris
Choques ocorreram em áreas onde houve violência em 2005
Os novos choques entre gangues de jovens e a polícia em duas periferias no norte de Paris revelam que a situação nos subúrbios com população imigrante de baixa renda continua instável.

Os confrontos das últimas duas madrugadas ocorrem depois de apenas sete meses da onda de violência que se alastrou pelos subúrbios de todo o país e exatamente na mesma região onde tudo começou: o distrito da Seine-Saint-Denis, nos arredores da capital.

Nessa área, a maioria das pessoas é de origem árabe ou africana e o desemprego entre os jovens chega a atingir 40% em algumas localidades.

Para muitos desses jovens, as promessas feitas pelo governo no ano passado para tentar resolver os problemas nas periferias ainda não saíram do papel.

Recentemente, foi aprovada a “lei da igualdade de oportunidades”, na qual o polêmico contrato primeiro emprego, revogado pelo governo, estava incluído.

Recursos da ordem de 100 milhões de euros também foram destinados para melhorar as condições de vida nessas zonas urbanas chamadas sensíveis.

Barris de pólvora

Essas periferias se tornaram um barril de pólvora e o menor incidente pode desencadear novos atos de violência por parte dos jovens.

Os jovens dessas localidades se sentem vítimas de discriminação no mercado de trabalho e não vêem perspectivas para o futuro.

Nos confrontos desta semana, estima-se que o estopim tenha sido a prisão de uma dona de casa que tentou defender seu filho durante uma operação policial em Montfermeil, na Seine-Saint-Denis. Ela teria sido algemada e atacada com gás lacrimogêneo.

O prefeito de Montfermeil, Xavier Lemoine, do partido do presidente Jacques Chirac, já havia lançado em abril um polêmico decreto probindo que mais de três jovens se reunissem nas ruas de Montfermeil à noite.

Sua residência e a prefeitura foram atacadas por uma centena de jovens armados com bastões de beisebol na madrugada de terça-feira. Sete policiais ficaram feridos nesses ataques.

Na madrugada desta quarta, mais quatro policiais ficaram feridos enquanto tentavam controlar um ataque a pedradas contra uma delegacia em Montfermeil. Carros também foram queimados, incluindo uma viatura da polícia.

Também houve confrontos nesta madrugada em Clichy-sous-Bois, onde os violentos protestos incendiários se iniciaram no final de outubro passado em razão da morte de dois adolescentes que estariam supostamente fugindo da polícia.

Eles morreram eletrocutados ao se esconderem em uma subestação elétrica da cidade. Um dos 13 jovens presos na madrugada desta quarta é justamente o que estava com os dos dois garotos mortos durante a suposta fuga e que sofreu graves queimaduras no acidente.

O porta-voz do governo, François Copé, afirmou que o governo está “vigilante” em relação à segurança nessas áreas. Helicópteros da polícia sobrevoaram as duas cidades nesta noite.

Copé disse também que o governo continua “mobilizado para colocar em prática a política da igualdade de oportunidades”, que prevê medidas para favorecer o emprego de jovens e também lutar contra discriminações.

O presidente Jacques Chirac pediu para que a onda de violência em Montfermeil e Clichy-sous-Bois fosse discutida nesta quarta-feira na reunião do Conselho de Ministros.

O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, disse que esses atos de violência são premeditados. “Não se trata de uma revolta espontânea quando as pessoas escondem o rosto e usam armas”, constata Sarkozy.

“Seria fácil ter paz nessas periferias. Bastaria apenas deixar que os bandidos viver do tráfico de drogas”, disse o ministro, que já havia jogado lenha na fogueira no ano passado ao chamar jovens da periferia de “ralé”.

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