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Atualizado às: 30 de maio, 2006 - 20h02 GMT (17h02 Brasília)
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Haditha consolida imagem negativa dos EUA no Oriente Médio

Nuri al-Maliki
Testemunhas dizem que civis foram mortos a sangue frio
Para diversos analistas árabes, os Estados Unidos estão prestes a sofrer outro grande golpe em sua imagem no Oriente Médio com a divulgação (esperada para esta semana) dos detalhes do inquérito sobre as mortes de civis iraquianos na cidade de Haditha, em novembro do ano passado.

Analistas ouvidos pela BBC Brasil dizem que a imagem dos Estados Unidos já está praticamente "no fundo do poço", mas que este golpe pode ser um novo complicador na estabilização do Iraque.

“Haditha é uma cidade sunita, então seguramente os líderes políticos da comunidade vão usar estas acusações para atacar tanto os americanos quanto o governo de maioria xiita do Iraque", avalia o pesquisador iraquiano Mustafa Al-Ani, diretor da área de segurança no Centro de Estudos Estratégicos do Golfo, baseado em Dubai. "E muitos xiitas que estão no governo vão tentar se distanciar dos americanos para evitar danos à própria imagem.”

Em novembro do ano passado, quando as mortes aconteceram, os americanos afirmaram que quinze civis mortos em uma casa na cidade de Haditha teriam sido vitimas de uma explosão, mas reclamações de iraquianos acabaram levando a uma investigação.

Vietnã

As informações divulgadas pela imprensa até agora sugerem que um massacre de civis desarmados pode ter acontecido e que os militares teriam tentado encobrir a história.

Muita gente já está comparando a situação em Haditha ao massacre de Mai Lai, no Vietnã, em 1968.

A revelação de centenas de assassinatos praticados por soldados americanos na pequena vila vietnamita ajudou a catalizar o movimento contra a guerra nos Estados Unidos.

No Oriente Médio, o temor é que a divulgação dos detalhes do inquérito provoque o mesmo tipo de reação negativa causada pelas acusações de tortura na prisão de Abu Ghraib, em 2004.

“Não há mais nenhuma estratégia de contenção de danos que os americanos possam fazer. A atuação dos relações públicas e diplomatas dos Estados Unidos já não convence mais ninguém no Oriente Médio”, diz o cientista político da Universidade dos Emirados Árabes Unidos, Abel Khaliq Abdala.

Munição

O pesquisador diz que isso não significa que o inquérito de Haditha vá trazer algo de novo e surpreendente para a opinião pública árabe.

“Já existe a percepção generalizada aqui de que o discurso de direitos humanos dos americanos não se traduz em ações na prática. Haditha vai ser só mais um evento confirmando esta percepção”, diz o estudioso.

Mas novos eventos podem servir para fortalecer a retórica de grupos radicais antiamericanos que agem tanto no Iraque quanto em outras partes do Oriente Médio.

“Grupos sectários que atuam aqui na região vão ter muita munição com isso para atacar qualquer um que tenha um discurso pró-democracia”, lamenta o vice-diretor do Centro de Estudos Al-Ahram, aqui no Cairo, Mohamed Al-Said Saied.

“Se o país (EUA) que se apresenta como o ‘pai da democracia’ age deste jeito, isso é muito negativo para as pessoas que também defendem a democracia aqui no Oriente Médio”, avalia Saied.

Corpos em HadithaCaio Blinder
'Massacre de Haditha' pode deixar EUA em apuros no Iraque.
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