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Lei seca ajuda a diminuir número de crimes em Bogotá | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A noite em Bogotá tem hora para terminar, às três da manhã, graças à "lei zanahoria" ("lei cenoura"). "Cenoura" é gíria colombiana para definir os que não gostam de badalação. Não dançam e não tomam bebidas alcoólicas. Mas é difícil encontrar alguém protestando contra essa espécie de "lei seca" que dura o ano inteiro. No entendimento popular, seja nos bairros nobres da capital colombiana, como a Zona Rosa, nos menos elegantes, como o centro, ou históricos, como Candelária, o limite de horário para venda de bebidas e para o funcionamento das boates contribuiu para a segurança. Bogotá é hoje, de acordo com dados oficiais, uma das cidades mais seguras da América Latina, como informou o especialista Alfredo Rangel, da Fundação Segurança e Democracia. Bogotá, segundo Rangel, tem hoje menos homicídios que Washington, nos Estados Unidos. Dados oficiais apontam que Bogotá registra 22 homicídios por 100 mil habitantes. Há quatro anos, essa taxa, que já estava em queda, era de 36 homicídios por cada 100 mil habitantes. Medellín, recordou ele, é outra cidade colombiana que tem vida noturna intensa, mas segura. Graças à manutenção de programas como o desarmamento e o limite de horário dos bares, restaurantes e boates, também registra fortes quedas na violência. Nos anos 90, Medellín teve 280 mortes por cada 100 mil habitantes. Hoje, o número caiu para 42. Eleição "Medidas como a lei cenoura e o plano de segurança do presidente (Álvaro) Uribe melhoraram muito nossas vidas ", disse Alfonso Enrique Atuesta, gerente do restaurante 1492, na badalada Zona T. Com cinco anos de existência, o negócio – como outros da mesma região – ganha cada vez mais clientes. "A sensação de segurança anima as pessoas a saírem de casa e não temos do que nos queixar da quantidade de clientes." Na sexta-feira à noite, os bares e restaurantes da Zona T estavam cheios, apesar da lei seca – a eleitoral – que tinha entrado em vigor, minutos antes, e só terminará na terça-feira. A proibição de bebidas alcoólicas ocorre, nesses quatro dias, porque domingo é dia de eleição presidencial e segunda-feira feriado nacional. Assim como também é atípica, devido ao período eleitoral, a presença massiva de soldados do exército e da polícia nacional - fortemente armados - em todas as esquinas da cidade. Bogotá, a mais de 2,6 mil metros acima do nível do mar, é considerada a mais cosmopolita das cidades colombianas. Bares e restaurantes da Zona Rosa, Zona T, Zona G, Parque 93, entre outros, vivem cheios. "Sempre gostamos de sair e sempre nos sentimos seguros aqui em Bogotá", disse Oscar Balaguera, de 35 anos, sentado com a mulher Gina Rubio, de 31, no bar De sol a sol. Para eles, a qualidade de vida na cidade, de 7,5 milhões de habitantes, subiu depois que passou a ser aplicada a "cultura cidadã" – um pacote de idéias do então prefeito Antanas Mockus, mantidas ou ampliadas por seus sucessores. A "lei cenoura", por exemplo, limitava o horário das boates (rumba) e a venda de bebidas alcoólicas até uma da manhã. Na opinião de Mockus, essas decisões, assim como a melhoria na limpeza da cidade, contribuíram para reduzir o número de acidentes e homicídios na capital colombiana. Escobar Em comum, os habitantes de Bogotá e Medellín ainda têm na memória os tempos de violência, com o líder do tráfico de cocaína Pablo Escobar. "Naquela época, sim, no fim dos anos oitenta, eu tinha medo de sair de casa, mas depois Bogotá foi ficando segura de novo e a verdade é que está cada vez melhor", disse Oscar Balaguera. Para ele e a mulher Gina, o que mudou foi a mentalidade dos que vivem na capital colombiana. Naquela época, quando Mockus foi prefeito (1995-1997 e 2001-2003) e ainda não pensava ser "presidenciável lanterninha" nessa eleição, qualquer cidadão podia levantar um cartão vermelho para o outro que estacionava o carro em lugar proibido ou jogava lixo na rua. "Nós detestamos passar vergonha. Então, imagine o pavor em ver alguém lhe dando uma bronca pública?", disse uma jovem no Wok, outro bar da moda da Zona T. A 15 minutos dali, no Parque 93, o segurança privado de um dos restaurantes em frente àquela praça, Carlos Alvarez, disse que também se sente seguro em Bogotá. "Mas depende de qual Bogotá estamos falando. Aqui, onde só tem gente rica, você pode andar com um milhão de dólares que ninguém vai lhe assaltar", disse. "Mas se for lá para onde moro, na região sul da cidade, onde estão, como vocês dizem, as favelas... Aí tem que ter cuidado com a bolsa, mesmo que você não esteja levando nada de valor." Para tentar ampliar essa "sensação de maior segurança" – como muitos dizem na capital colombiana – a prefeitura de Bogotá está levando o projeto de cultura cidadã (uma lista de medidas) para as regiões mais carentes da cidade. Por enquanto, parece que a combinação das iniciativas municipais e federais, como disse Alfredo Rangel, já deram resultados como a queda da violência e o respeito às normas. É difícil ver um carro mal estacionado em Bogotá, as ruas estão, geralmente, limpas e ninguém se arrisca a atravessar a luz vermelha num sinal de trânsito, mesmo quando já é tarde da noite. "Não, aqui não tem perigo de assalto. Vamos esperar a luz verde, sem pressa", tranquilizou o taxista Litdman Sanchez, acostumado a trabalhar à noite em Bogotá. Ali perto, no centro da cidade, quando o interlocutor percebe que está falando com um turista recomenda cuidado com a bolsa - os furtos, segundo dados oficiais, são mais comuns que assaltos a mão armada. |
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