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'Uribismo' enfraquece partidos políticos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em quase quatro anos de governo, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de 53 anos, inventou o “uribismo”, que continua se alastrando e enfraquecendo partidos políticos do país. Uribe não é filiado a nenhum partido político, mas o “uribismo” é a união de seis legendas que nasceram durante sua gestão. Elas formam a maioria parlamentar do presidente, eleita em março passado para o Congresso Nacional. Na Colômbia, as discussões políticas de hoje são em torno do “uribismo” e do “antiuribismo”. Para analistas colombianos ouvidos pela BBC Brasil, como o cientista político Rubén Sánchez, o “uribismo” provocou fortes dissidências nos partidos tradicionais, como o Liberal – do qual ele foi integrante. No seu mandato, Uribe ainda conquistou apoio parlamentar do histórico e opositor Partido Conservador. A influência política do atual presidente, de acordo com os analistas, mudou o mapa partidário do país, antes baseado nessas duas legendas –Liberal e Conservador. “Uribe não tem e não quer ter partido porque administra o país como uma fazenda”, critica Sánchez. Personalismo O analista político Alfredo Rangel, da Fundação Segurança e Democracia, diz que o “uribismo” é, essencialmente, o apoio político e popular à gestão do presidente. “Para muitos, ele é o redentor (…) os colombianos valorizam o fato de que hoje se sentem mais seguros, além do crescimento econômico de 5% no ano passado e do aumento das exportações. Há mais esperança no país e isso também poderia ser uribismo.” O “uribismo” é sustentado, principalmente, no estilo de governar do presidente, que tem fama de bom comunicador, estudou administração na universidade de Harvard, foi prefeito de Medellín, governador de Antioquia e senador antes de chegar ao palácio presidencial. Para alguns analistas, Uribe teria um estilo tão populista quanto o de Hugo Chávez (presidente da Venezuela), apesar de os dois afirmarem que são muito diferentes. A semelhança entre eles estaria na forma direta de se comunicar com os eleitores. Chávez fala horas seguidas no seu programa dominical Alô presidente. Uribe visita, todos os domingos, chova ou faça sol, alguma comunidade carente do país. Ao lado de todos os seus ministros, ouve as queixas populares, desde a falta de água e de escola, e pede, diante das câmeras de televisão, que seus assessores anotem e atendam aos pedidos. “Uribe não é só bom comunicador e político nato, ele criou o uribismo, mas ainda não se sabe se significará o mesmo que o brasileiro “getulismo” e o argentino “peronismo” que sobreviveram mesmo quando seus líderes deixaram o poder”, disse um diplomata argentino que vive em Bogotá. Só o tempo dirá. Até aqui, sabe-se que, mesmo sem partido próprio, ele tem o apoio de seis legendas e, segundo as pesquisas de opinião, deverá conquistar mais quatro anos para deixar a sua marca. |
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