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Oposição protesta por democracia no Egito | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Manifestações de rua reuniram centenas de pessoas – e número ainda maior de políciais – no cento do Cairo e paralisaram o trânsito na cidade durante quase todo o dia. Elas foram promovidas pela oposição egípcia, que acusa o governo de não estar respeitando nos últimos meses os compromissos assumidos com a abertura democrática. Cerca de 300 juízes egípcios participaram das manifestações que aconteceran em diversos pontos da capital, incluindo o Clube dos Magistrados, no centro da cidade. Os protestos desta quinta-feira marcaram um ano do plesbicíto que o governo promoveu como um grande passo na abertura política do país. Na votação de 25 de maio de 2005 os eleitores aprovaram a emenda constitucional que criou eleições presidenciais com mais de um candidato, pela primeira vez na história da República Egípcia. Prisões A prisão de integrantes da oposição, a interferência do Executivo no Judiciário e o endurecimento contra os manifestantes em protestos nas últimas semanas reforçaram o discurso da oposição egípcia e chegaram a atrair críticas dos Estados Unidos - que no passado fizeram referências elogiosas à abertura política prometida pelo presidente Hosni Mubarak. Apesar da presença de outros candidatos, o presidente acabou garantindo o segundo mandato com 88% dos votos (com a participação de apenas 23% do total de eleitores). O Liberal Ayman Nour, que ficou em segundo lugar com 7,3% dos votos, está hoje na prisão, acusado de fraudes na fundação de seu partido, Al Ghad (Amanhã). Esta última onda de protestos foi desencadeada pela pressões exercidas pelo governo contra dois juízes que fizeram acusações de fraudes nas eleições. Os dois foram levados à comissão disciplinar e, embora só um tenha sido punido, a medida serviu como um catalizador para a insatisfação da oposição. Um comunicado do grupo Kyfaia (Basta) afirma que a “manifestação desta quinta-feira é para pedir a investigação dos crimes cometidos por Mubarak nas recentes eleições legislativas e a libertação de todos aqueles detidos por solidariedade com os juízes.” Repressão paralisou processo O cientista político da Universidade Americana do Cairo, Mustafa Kamal Al-Said, diz que a repressão aos juízes virtualmente parou o ensaio de abertura democrática, porque era dos tribunais que vinham a maioria das mudanças. “Os juízes é que restabeleceram os direitos políticos de diversas pessoas, anulando leis que impediam o funcionamento da oposição. A interferência do Executivo no Poder Judiciário virtualmente paralisa qualquer processo de abertura”, disse. Al-Said diz que a abertura das eleições presidenciais para outros candidatos foi um avanço, mas observa que a mesma emenda trouxe regras que dificultam muito a vida dos partidos pequenos. “Há partidos antigos e ideologicamente importantes que podem acabar saindo da política, se não conseguirem o mînimo de 5% de votos nacionais que a nova lei eleitoral estabelece para um partido poder entrar no parlamento”, observa. Um destes partidos é o marxista Tajamoa, que nestas eleições conseguiu apenas dois assento, dos 454 disputados. “O governo egípcio não consegue melhorar a situação social e econômica do país e a única maneira que encontra para reagir é através da repressão. A deterioração da economia egípcia o endurecimento do governo são duas coisas que vão andar lado a lado”, diz o presidente do Partido Tajamoa, Rifat Al-Said. Al-Said lamenta que assuntos como a repressão a juízes e jornalistas ainda sejam os temas que conseguem unir parte da oposição egípcia. “O Egito já tinha que ter passado desta fase e tínhamos que estar discutindo coisas muito mais sérias sobre nosso país. Estes protestos de agora são só movimentos de alguns intelectuais que tem pouco contato com o que está acontecendo no país”, diz. O veterano oposicionista ri com uma pergunta sobre as chances de partidos da oposição secular, como o dele, sobreviverem neste ambiente. Sobrevivência “Estamos acostumados com tratamento ruim. No tempo do presidente Anwar Sadat, toda semana eu ou algum de meus companheiros ia para prisão”, diz, sem dar nenhuma idéia concreta de como vai sobreviver politicamente mais uma vez. Na oposição egípcia, hoje o único grupo de peso é o islâmico Irmandade Islâmica. Embora não tenha autorização para existir como partido político, seus militantes conocorreram como candidatos independentes nas eleições legislativas do ano passado – unificados pelo slogan “O Islã é a solução” – e conquistaram 88 dos 454 assentos, tornando-se a segunda maior força no parlamento, atrás apenas do governo. Analistas dizem que o governo não acreditava que a Irmandade Islâmica conseguiria ganhos tãos expressivos junto aos eleitores. “Acredito que o governo está reagindo com força agora porque não sabe onde o crescimento da Irmandade Islâmica vai parar”, diz Mustafa Kamal Al-Said. O governo egípcio tem se mantido silencioso sobre as últimas manifestações. Um editorial publicado no jornal governista Gomoreia (República) na última segunda-feira diz que o “a mídia está cobrindo de forma errada a ação do governo contra as manifestações.” Segundo o jornal, o Estado está apenas cumprindo a função de manter a ordem. A reportagem da BBC Brasil procurou integrantes do partido governista e do governo para comentar o assunto, mas ninguém retornou as ligações. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Governo do Egito prorroga lei de emergência no país30 de abril, 2006 | Notícias Mistérios e teorias cercam ataques no Sinai 27 de abril, 2006 | Notícias Explosão no Egito fere soldados de força de paz26 de abril, 2006 | Notícias Egito prende dez suspeitos de atentados em Dahab25 de abril, 2006 | Notícias Atentado mata pelo menos 23 em balneário no Egito25 de abril, 2006 | Notícias Atentados podem prejudicar turismo no Sinai24 abril, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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