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Mistérios e teorias cercam ataques no Sinai | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os atentados dos últimos dezoito meses no deserto do Sinai trouxerem de volta o fantasma dos atentados contra turistas, que o governo egípcio acreditava que tinha conseguido vencer nos anos 1990. As respostas que o governo deu sobre esta nova onda de ataques são poucas e incompletas. Uma pequena organização do Sinai - Taifa Al-Mansoura - é a principal suspeita das autoridades, mas não há detalhes sobre o assunto. O governo egípcio diz que os ataques em Taba em novembro de 2004 (34 mortos) e em Sharm el-Sheikh em julho de 2005 (88 mortos) foram de responsabilidade da Taifa Al-Mansoura - uma organização até então desconhecida, liderada por um exilado palestino - e autoridades já sugeriram à imprensa de que o grupo seria o principal suspeito no ataque em Dahab. Beduínos O governo diz que a organização contaria com a participação de muitos beduínos do Sinai- que têm uma antiga história de animosidade com os outros egípcios - que foram presos aos milhares durante as investigações e submetidos, segundo grupos de defesa do direitos humanos, a diversos abusos. Mas muitos observadores domésticos e internacionais avaliam que a repressão sobre os beduínos só piorou as coisas, abrindo mais as feridas e possivelmente colocando mais gente dentro da comunidade a favor dos ataques. As sugestões de que esta última ação em Dahab - a respeito das quais nada ainda foi dito oficialmente - poderia ter sido realizada por três suicidas beduínos só reforçou esta última visão. O deserto do Sinai é um território grande, vazio e difícil de ser vigiado e os beduínos - ainda organizados em sociedades tribais e sem grande respeito pelo governo central - conhecem o território como ninguém. Muitos grupos são envolvidos no tráfico de drogas. Além de transportar o produto pelo deserto, os beduínos são os principais fornecedores dos turistas estrangeiros que vão ao Sinai. As fronteiras com Israel e a Faixa de Gaza também abrem oportunidade para outros dois lucrativos negócios ilegais: o tráfico de armas e o tranporte ilegal de pessoas, em especial militantes palestinos que precisam entrar em ou sair de Israel. Um número cada vez maior de beduínos passaram a se dedicar a estas atividades quando os negócios com turistas começaram, nos últimos anos, a ir para as mãos de egípcios de outras regiões, que migraram para o deserto com incentivo do governo. As autoridades querem tentar amenizar o problema do desemprego nas grandes cidades e desenvolver outras regiões do país mas aumentaram o ressentimento dos beduínos, que não gostaram da chegada da concorrência. Ataques ao governo Os ataques da quarta-feira no norte do Sinai - em que dois homens bomba feriram dois soldados de forças de paz internacionais que patrulham a fronteira com Israel - saem um pouco do padrão dos grandes ataques na região, que tiveram áreas turísticas como alvo e uma clara intenção de atingir o governo egípcio. A escolha das datas reforça esta tese: o ataque em Taba em 7 de outubro de 2004 foi um dia depois do feriado do fim da Guerra de 1973 contra Israel, as explosões em Sharm el-Shaikh em 23 de julho aconteceram no dia que se comemora a revolução que derrubou a monarquia em 1952 e este último atentado em Dahab, na segunda-feira, foi no feriado que lembra a liberação do deserto do Sinai. Mas além destas análises de circunstâncias, que levam obervadores a apontar para um ou outro culpado, bem pouco apareceu em termos de informação que permita concluir a autoria e a motivação dos atentados. Para muitos analistas ocidentais, tem que existir uma conexão internacional nos ataques porque eles teriam sido muito complicados para um pequenos grupo local. A explosão em Dahab ter acontecido um dia depois de uma nova fita de Osama Bin Laden ter sido divulgada levantou teorias de alguma ligação dos autores do atentado com o rede Al Qaeda. Conspirações Um ambiente com poucas informações é terreno fértil para teorias e aquelas que envolvem participação de Israel têm sempre grande aceitação entre os árabes. No caso dos ataques de Dahab, a força dos rumores aumentou pelo fato que nas duas semanas anteriores ao ataque, o governo israelense já vinha recomendando que seus cidadãos não fossem ao Sinai. Os quase doze anos de ocupação israelense do deserto do Sinai também deram ao país um grande conhecimento do território e a possibilidade de criar uma boa rede de informações, apoiada nas boas relações que os israelenses têm com os beduínos. Defensores desta explicação dizem que o interesse de Israel patrocinando ou permitindo estes ataques seria refoçar a presença do Egito na "guerra contra o terrorismo" lançada pelo presidente George W. Bush. Mas opositores destas teorias conspiratórias argumentam que Israel comumente - em quase todos os feriados - emite advertências para que seus cidadão não viagem ao Sinai. Desestabilização Eles também dizem que não faria sentido Israel tentar desestabilizar o governo de um país grande, moderado e em paz com os israelenses, principalmente quando fica mais claro que os islâmicos são o único grupo político forte na oposição egípcia. O ataque em Taba em outubro de 2004 começou quando o governo egípcio ensaiava uma abertura política que acabou resultando na convocação, em 2005, das primeiras eleições presidenciais multipartidárias da história da República Árabe do Egito. Nos anos 90, o Egito conseguiu acabar com uma grande onda de ataques contra turistas através de uma repressão implacável, que virtualmente acabou com uma das organizações armadas das mais ativas no Oriente Médio, a Gamaa Islamia. Tudo indica que o governo vai ter que enfrentar de novo algum grupo que tenta desastabilizar o país. O presidente Hosni Mubarak ainda não respondeu com o mesmo grau de repressão usado nos anos 90, mas já deu algumas demontrações de que a mão do governo continua pesada, nas investigações sobre os ataques recentes, feitas no deserto do Sinai. Conseguir endurecer com os extremistas sem manchar a imagem da abertura democrática que ele tenta promover vai ser um equilibrio que o presidente vai ter que atingir com muito cuidado. |
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