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Atualizado às: 15 de maio, 2006 - 10h00 GMT (07h00 Brasília)
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Crise 'não abalou simpatia de bolivianos pelo Brasil'

O presidente Lula e Evo Morales, presidente boliviano
Governo boliviano diz que é preciso reorganizar relação com vizinhos
As disputas entre o Brasil e a Bolívia, registradas na semana passada, parecem não ter abalado a admiração dos bolivianos pelos brasileiros.

“Não acho que nasceu nada parecido com um sentimento anti-Brasil. Os bolivianos continuam adorando os brasileiros e na Copa do Mundo muitos costumam torcer pela seleção verde e amarela”, disse o jornalista Jorge González.

Ele morou 20 anos em São Paulo e hoje é apresentador do programa de rádio “Aqui Brasil”, da Top Fides, em La Paz.

Segundo González, disputas como as que ocorreram com a empresa brasileira EBX, na fronteira com o Brasil, e com a Petrobras são consideradas “casos isolados” e não afetam a amizade que os bolivianos sentem pelos brasileiros.

“Ninguém fala aqui, por exemplo, do imperialismo brasileiro”, contou em referência ao termo usado, algumas vezes, pela imprensa.

“Só se fôssemos muito ingênuos para confundir uma discussão dessas com o sentimento que temos por um povo”, disse Gabriela Gutiérrez, de 23 anos, guia turística no Museu São Francisco, no centro de La Paz.

“Aprendi, nos livros da escola, que o Chile nos roubou a saída para o mar (durante a guerra do Pacífico, entre 1879 e 1884), mas ainda assim não consigo ter rancor pelos chilenos. Então, imagine se vou sentir algum tipo de aversão pelos brasileiros”, afirmou Alfredo Mendoza, de 29 anos, motorista e estudante de direito.

Petrobras

Nas principais emissoras de rádio do país, toca, com freqüência, anúncio da Petrobras, dona dos maiores investimentos estrangeiros no país.

Mas é difícil ouvir de algum boliviano, em La Paz, alguma palavra mais agressiva à investidora brasileira.

“É uma empresa e como tal tem seus lucros. Não acho que ela deixará o país depois da nacionalização dos hidrocarbonetos. A Bolívia é importante para a Petrobras e ela também é importante para os bolivianos”, disse o comerciante Raul Torres.

Nos últimos dias, rádios, televisões e jornais deram destaque às diferenças públicas do governo do presidente Evo Morales com o Brasil, além da reunião com a direção da empresa brasileira e os avanços nestas negociações.

Mas apesar da guerra de palavras, registradas antes do encontro entre Morales e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Áustria, nas ruas de La Paz imperava a passividade em relação ao Brasil.

“Somos povos irmãos e muito amigos. Tudo isso tem que passar logo para voltarmos a ter a relação de sempre”, afirmou a vendedora de frutas Guadalupe Rios, de 66 anos.

'Sonho boliviano'

Até mesmo nos bastidores dos principais ministérios do governo tentavam amenizar a queda de braço e os efeitos que ela poderia provocar na imagem dos brasileiros no país.

“É uma discussão política e técnica. Mas não somos um povo rancoroso e os brasileiros parecem sempre tão simpáticos”, disse uma assessora do Ministério do Planejamento.

“O problema são os ataques da imprensa brasileira contra a Bolívia, mas as medidas de Evo eram necessárias e nós achamos que o tempo também fará com que os brasileiros entendam isso”, afirmou outro assessor do setor de comunicação da administração federal.

“Todos os países limítrofes são importantes para a Bolívia e, principalmente, o Brasil. Mas temos apenas que reorganizar essa relação”, disse o ministro de Planejamento, Carlos Villegas.

“Somos países amigos e essas discussões acabarão fortalecendo nossa relação”, completou o ministro de hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada, um dos mais ferozes críticos à Petrobras, mas que nas últimas horas adotou um discurso também mais conciliador.

“É difícil pensar na expansão econômica e social da Bolívia sem a cooperação do Brasil”, disse um alto funcionário, boliviano, de um organismo internacional.

O vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, também adotou um tom amigável.

"O sonho boliviano é aumentar a relação com o Brasil e vender mais gás ao Brasil", afirmou.

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