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García Linera, o intelectual do governo Morales | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O vice-presidente boliviano Álvaro García Linera, um sociólogo e matemático, é tido como o intelectual do governo do presidente Evo Morales. Aos 44 anos, ele acredita que o novo governo pode ser um divisor de águas na história da Bolívia. Em entrevistas com jornalistas desde que a Bolívia nacionalizou o setor de gás, porém, ele tem tentado desfazer a percepção de que o novo governo boliviano é radical ou está no mesmo caminho trilhado por Hugo Chávez, o presidente venezuelano. “Queremos manter boas relações com os Estados Unidos e também com Cuba e é uma leitura equivocada comparar os perfis e trajetórias da Bolívia com a Venezuela ou com o Brasil”, diz ele. Para o professor universitário, que se classifica como um pragmático e tem sido nos últimos anos um dos mais respeitados analistas políticos do país, o “chavismo” e o “lulismo” são muito diferentes do “evismo”. Distância Para ele, aliás, há maior semelhança da Bolívia e seus movimentos sociais com o Brasil e os tempos do nascimento do PT (Partido dos Trabalhadores) do que com a realidade venezuelana. O “movimento bolivariano” – símbolo dos traços políticos do presidente venezuelano Hugo Chávez – “não faz parte da estratégia da Bolívia”, afirma García Linera. Um sinal desse distanciamento que García Linera tenta mostrar entre ele e o governo de Morales da atuação de Chávez pôde ser conferido em uma entrevista com jornalistas brasileiros, em La Paz, recentemente. Apesar dos pedidos dos fotógrafos, ele evitou ser fotografado com um quadro do guerrilheiro Ernestro “Che” Guevara – feito com folhas de coca – ao fundo, algo bem diferente do estilo Chávez. Mas não é apenas na forma que Linera tenta se diferenciar. “Queremos uma Bolívia pluralista. Imaginamos ser uma esquerda pós-liberal, com capacidade para respeitar o déficit fiscal, mas tendo a estabilidade econômica como meio e não como único fim. O objetivo deve ser a inclusão social e a transparência nas negociações com as empresas”, diz ele. García Linera ficou conhecido por sua trajetória política como ex-guerrilheiro, com cinco anos de prisão, pela aulas de sociologia e ciências políticas na Universidade Maior de San Andrés, de La Paz, e pela aproximação com grupos sociais de esquerda, a partir dos anos 80. Mas para ele a esquerda boliviana de hoje não tem nada a ver com a esquerda dos anos 70. A esquerda atual, afirma, é composta pelos indígenas e homens do campo. “A dos anos 70 era liderada pela classe média.” Apesar de ser visto por muitos observadores como um dos cérebros do governo, Linera com frequência ressalta o papel de Morales nas decisões do governo. “Foi o presidente que decidiu que o Estado passaria a ficar com 82% dos lucros das petroleiras e elas com 18%”, diz ele, por exemplo. Filho de uma família de classe média, com acesso a bons colégios e formação na Bolívia e no México, ele é chamado por seus colegas de governo de “o branco”. A vida do vice-presidente teve pouco a ver com a do pobre Evo Morales, mas, apesar das diferenças, eles se uniram quando o partido Movimento ao Socialismo (MAS) os apresentou como chapa à candidatura presidencial de dezembro passado. Na época, a imprensa boliviana batizou a dupla de "poncho e gravata". Hoje, García Linera faz parte do núcleo de decisões do governo boliviano, que inclui o chefe da Casa Civil, Juan Ramon Quintana, e os ministros do Planejamento, o professor Carlos Villegas, e o de hidrocarbonetos, o ex-jornalista Andrés Soliz Rada. Ao lado deles, “poncho e gravata” querem mudar a história boliviana. Se vão conseguir, o tempo dirá. Mas algo já é certo, juntos eles já entraram para a história do país. |
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