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Justiça confirma 2º turno entre García e Humala no Peru | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-presidente Alan García disputará o segundo turno das eleições presidenciais peruanas com o candidato nacionalista Ollanta Humala no próximo dia 4 de junho. A disputa entre os dois candidados foi confirmada pela Justiça eleitoral peruana nesta quarta-feira, quase um mês após o primeiro turno das eleições, realizadas no dia 9 de abril. Apesar de a apuração total do primeiro turno não ter sido concluída, o tribunal eleitoral do país informou que os votos que ainda precisam ser computados "não produzirão nenhuma variação" nos resultados. Com 99,98% dos votos apurados, o candidato nacionalista Ollanta Humala obteve a maioria de quase 31% do total. Alan García, da Apra (Aliança Popular Revolucionária Americana), recebeu 24,3% dos votos. Flores, do partido Unidade Nacional, de centro-direita, ficou com 23,8%, com 64.434 de votos a menos do que o ex-presidente. Discurso conciliador Com García e Humala, a expectativa é de uma eleição ainda mais competitiva do que um segundo turno com a ex-candidata Lourdes Flores. Uma pesquisa de opinião do instituto Datum, divulgada na semana passada, indicou que García venceria Humala por 54% a 46% dos votos. Para os analistas Carlos Aquino Rodríguez, professor de ciências econômicas da Universidade de San Marcos, e Rolando Ames, professor de ciências políticas e governo da Universidade Católica de Lima, Humala obteve menos votos do que o esperado no primeiro turno. Com discurso mais conciliador do que seu adversário, o ex-presidente Alan García é definido como candidato social-democrata e poderia atrair os votos dos que discordam das propostas de Humala. Entre elas, a maior aproximação com as medidas e o governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e um distanciamento de outros governos de países andinos. É o caso, por exemplo, da Colômbia, presidida por Álvaro Uribe, que como o Peru, presidido por Alejandro Toledo, já assinou um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos. Tenente-coronel da reserva, Humala recebe maior apoio das classes mais pobres e é definido como o novo "outsider" da política da América Latina. Mas não é o primeiro a ser classificado assim em seu país. Dividido Rolando Ames recorda que Alberto Fujimori (1990-2000) e Alejandro Toledo (2001-2006) também chegaram à Presidência como figuras carismáticas. Fujimori privatizou estatais, abriu a economia peruana ao capital externo e fugiu do país, acusado de corrupção e outras irregularidades. Humalla, que promete governar de maneira bem diferente, é, como Fujimori, apontado como candidato "contra o sistema". No Peru, cerca de 25% dos eleitores votam contra os partidos políticos tradicionais, outros 25% pelo Apra, partido mais antigo do país, 25% pela centro-direita e o restante anula o voto ou define seu candidato na hora da eleiçao. Aquino Rodríguez diz que o resultado do primeiro turno provou, mais uma vez, que o Peru continua sendo um país dividido. Impopular Ames afirma que os lugares mais modernos, como Lima, capital do país, votaram por Lourdes Flores. Os redutos de classe média optaram por Alan García e os mais pobres por Humala. Para o professor da Universidade Católica de Lima, os números revelam um "verdadeiro" mapa político e social do Peru, que tem 27 milhões de habitantes. "(É) um registro das desigualdades sociais, frustrações e desejos dos peruanos", afirmou. Na opinião de Ames, a eleição deste ano tem mais um detalhe. García e Humala são opostos, mas representam caminhos diferentes do que foi adotado pelo atual presidente. A economia peruana cresceu em média 5% anualmente durante o governo de Alejandro Toledo. Mas a pobreza não cedeu no mesmo ritmo e a popularidade do presidente foi uma das piores nos últimos tempos entre os líderes latino-americanos. Desafios Para os analistas, o próximo presidente terá o desafio de incluir os peruanos, tentar uni-los, além de combater o narcotráfico – preocupação que substitui a que antes era destinada à guerrilha de grupos como Sendero Luminoso, esvaziado após medidas rigorosas de Fujimori. O sucessor de Toledo receberá ainda um país mais rico que em outros tempos – efeito da alta do preço internacional do minério e das exportações do produto e das frutas aos países asiáticos, além do aumento das remessas de dólares dos peruanos que vivem no exterior a seus familiares. O emprego informal, no entanto, ainda é um desafio histórico. Um milhão de trabalhadores permanecem na informalidade, apesar da expansão econômica. Além dos desafios sociais e econômicos, o futuro presidente terá ainda que decidir como será a relação do Peru com seus vizinhos, o que inclui uma definição sobre a permanência ou não do país na Comunidade Andina de Nações (CAN). |
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