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Atualizado às: 10 de abril, 2006 - 18h09 GMT (15h09 Brasília)
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Após 70% de votos apurados, Humala lidera no Peru

Ollanta Humala chegando ao posto de votação com sua mulher
Ollanta Humala disse que foi vítima de 'ato fascista' antes de votar
Com mais de 70% dos votos apurados, o candidato nacionalista Ollanta Humala lidera a disputa presidencial no Peru, com 29,19%.

A disputa para saber quem será o adversário de Humala no segundo turno está praticamente empatada. A advogada conservadora Lourdes Flores conta com 25,29% dos votos apurados. Alan García, candidato de centro-esquerda e ex-presidente do país, tem 24,98%.

O resultado parcial confirma a tendência das projeções divulgadas por institutos de pesquisa a partir dos números oficiais.

Os resultados foram recebidos com festa pela coligação União pelo Peru, de Humala, e com cautela pela Unidade Nacional, de Flores, e pelo Partido Aprista, de García.

Paz e reconciliação

"Agora precisamos construir paz e reconciliação entre os peruanos", disse Humala. "Não quero ódio às pessoas que não pensam como nós, o mesmo peço humildemente às pessoas que têm diferenças ideológicas conosco."

Flores disse estar otimista com os números, mas pediu que seus eleitores esperem os resultados oficiais "com calma".

"Em uma eleição anterior, reconheci a vitória do doutor García", afirmou a candidata. "Hoje, com os resultados de todas as projeções oficiais, espero que (García) tenha a grandeza de reconhecer os resultados que me colocam no segundo turno."

O ex-presidente, no entanto, também recomendou que seus partidários aguardem a apuração final "com serenidade" e disse estar confiante de que é ele quem vai para a disputa com Humala.

"Há uma vantagem do Partido Aprista que, no curso das próximas horas, conforme cheguem os resultados oficiais e finais, se verificará e se comprovará no momento em que a ONPE der seu resultado final", afirmou Alan García.

Tumulto

Em meio à expectativa pela definição dos resultados, a votação do domingo acabou marcada por um incidente ocorrido pela manhã, quando Humala se dirigiu a uma universidade no sul de Lima para votar.

Na chegada ao local, o líder nacionalista foi cercado por jornalistas, simpatizantes e opositores. Durante a confusão, dezenas de manifestantes atiraram garrafas plásticas e outros objetos contra Humala, que foi chamado de "assassino" e "tirano".

Depois de votar, o candidato teve que esperar cerca de 40 minutos para sair do local em segurança, acompanhado pelo chefe da missão de observadores internacionais da OEA (Organização dos Estados Americanos), Lloyd Axworthy.

"É um incidente bastante sério, mas não significa que seja um padrão de conduta no resto do país, onde sabemos que tudo transcorre com normalidade", disse Axworthy.

Mais tarde, Humala causou ainda mais polêmica ao convocar uma entrevista coletiva para acusar seus adversários de organizar um "ato fascista" para intimidá-lo.

De acordo com o candidato nacionalista, o tumulto foi premeditado e os responsáveis pela confusão teriam sido Alan García, Lourdes Flores e o presidente do Peru, Alejandro Toledo.

Os adversários de Humala reagiram às declarações do candidato e o acusaram de violar a legislação eleitoral ao fazer propaganda política com a votação ainda em andamento.

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