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Economia cresce, mas Toledo amarga baixa popularidade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente do Peru, Alejandro Toledo, chega às eleições que começam a definir seu sucessor, no próximo domingo, com baixos índices de popularidade, apesar da série de indicadores econômicos positivos acumulados nos cinco anos de seu governo. Com invejáveis índices de crescimento nos últimos anos (5,7%, em 2004, e 6,7%, em 2005), a economia peruana deve manter o ritmo em 2006, com as exportações em alta, o risco país em baixa e a inflação sob controle. Pesquisas recentes, no entanto, indicam que apenas cerca de 20% dos peruanos aprovam o desempenho de Toledo como presidente, um dos piores índices entre os líderes sul-americanos. Antes da campanha eleitoral, em que o presidente oficialmente não tem candidato, a situação era ainda pior: no final do ano passado, a popularidade de Toledo alcançava apenas pouco mais de 5% dos peruanos. Sem candidato A baixa popularidade do presidente influenciou a decisão do partido de Toledo, o Peru Possível, de não lançar candidato à sucessão presidencial. No final de janeiro, o então candidato do partido, Rafael Belaunde, filho do ex-presidente Fernando Belaunde, decidiu abandonar a disputa. “O clima da campanha contribuiu para uma melhor avaliação das conquistas desse governo”, afirma Jorge Valladares, coordenador-geral da associação civil Transparência. “Se o governo tivesse essa popularidade há cerca de quatro meses, talvez fosse mais viável sustentar uma candidatura à Presidência”, acrescenta Valladares. Mas, apesar da melhora nos índices de popularidade de Toledo, a bancada do Peru Possível no Congresso peruano deve diminuir bastante. As últimas projeções indicam que o partido deve conquistar apenas cinco das 120 vagas no Congresso. Pobreza Um dos motivos apontados pelos peruanos para justificar a rejeição ao governo de Toledo é a reclamação de que os benefícios conquistados com a relativa estabilidade econômica não chegaram à população mais pobre. Mais da metade dos peruanos vivem abaixo da linha de pobreza, e estima-se que o mercado informal corresponda a 60% da economia peruana, o que impede que o governo tente aumentar a arrecadação tributária para investir em projetos sociais. “Toledo não tem tido uma boa política de comunicação”, afirma Luis Nunes, diretor do Instituto Nacional Democrata no Peru. “As coisas que ele tem feito na economia, a infraestrutura habitacional, os créditos, não foram convenientemente comunicadas ao povo.” Nunes afirma, no entanto, que o grande abalo à popularidade do presidente foi causado pelos escândalos pessoais e de corrupção que envolveram membros da família e do governo de Toledo. “Durante a campanha eleitoral, Toledo prometeu um governo de austeridade”, lembra o analista político. “O povo não conseguiu enxergar essa austeridade.” “Muitas viagens ao exterior, algumas temporadas em uma casa na praia, e o povo sentiu um pouco que foi traído, enganado na sua expectativa de governo”, diz Nunes. “Ainda mais depois de dez anos de autoritarismo (do governo de Alberto Fujimori).” Estilo pessoal O coordenador-geral da Transparência concorda com a avaliação de Nunes. Na opinião de Valladares, Toledo não conseguiu impor um estilo pessoal capaz de corresponder à expectativa dos peruanos. “Nos últimos cinco anos, ficou demonstrado que não basta administrar bem a macroeconomia e as relações internacionais”, afirma o pesquisador. “O que se discute normalmente sobre o governo Toledo são as suas atitudes frívolas, gestos que têm mais a ver com seu estilo pessoal do que com as obras de seu governo.” Para Jorge Valladares, além das acusações de favorecimento a amigos e familiares, o presidente também acabou prejudicado pela fragilidade da aliança que sustentou seu governo. “Toledo também sentiu o problema de não contar com um partido sólido, que pudesse dar sustentação e defender o governo”, afirma o dirigente da Transparência. |
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