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Eleições definem futuro de interesses brasileiros no Peru | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A atuação de empresas estrangeiras no Peru e o futuro das relações comerciais do país foram temas polêmicos na campanha eleitoral peruana, que começa a ser definida com a realização do primeiro turno das eleições presidenciais no próximo domingo. Os dois assuntos, que interessam ao Brasil, refletem as diferenças ideológicas que separam os três principais candidatos a presidente no Peru: o nacionalista Ollanta Humala, a advogada Lourdes Flores e o ex-presidente Alan García. Apesar de apresentar baixos índices de popularidade, o governo do atual presidente peruano, Alejandro Toledo, que oficialmente não apóia nenhum candidato nas eleições, acumulou bons indicadores econômicos e aprofundou a relação do Peru com Brasil e Estados Unidos. “O governo do presidente Toledo voltou os olhos para o Brasil e conseguiu, nesses cinco anos, uma boa comunicação com o governo Lula e entender que o Peru precisa abrir as portas também com o Brasil”, afirma Luis Nunes, diretor do Instituto Nacional Democrata no Peru. O governo peruano foi um dos principais aliados do Brasil na criação da Comunidade Sul-Americana de Nações e assumiu a presidência temporária do novo órgão no primeiro ano após seu lançamento, em 2004, na cidade de Cuzco, no próprio Peru. Livre comércio O governo de Toledo também negociou um tratado de livre comércio com os Estados Unidos. A ratificação do acordo caberá ao novo presidente. Lourdes Flores, apontada como candidata favorita do setor empresarial peruano e dos investidores estrangeiros, defende o tratado. Ollanta Humala é contra. O candidato nacionalista afirma que o Mercosul e a Comunidade Andina (formada por Peru, Venezuela, Colômbia, Bolívia e Equador) são mecanismos de integração mais importantes do que o possível acordo comercial com os Estados Unidos. Para o analista político Luis Nunes, no entanto, a negociação com os Estados Unidos e a integração latino-americana não são necessariamente processos contraditórios. “O tratado de livre comércio com os Estados Unidos é muito importante para o Peru, mas como um elemento complementar aos outros tratados que o Peru está estabelecendo com outros países da região”, afirma Nunes. Nacionalização Humala defende também a renegociação de contratos entre o governo peruano e empresas estrangeiras, a nacionalização dos recursos naturais peruanos e, assim como o adversário Alan García, o aumento dos impostos sobre o lucro de multinacionais. Essas idéias, semelhantes às defendidas por Evo Morales na Bolívia, poderiam afetar os interesses de empresas brasileiras no Peru, incluindo a Petrobras, que detém direitos de exploração e produção de petróleo e gás natural em dois blocos no país. No entanto, as operações da Petrobras no Peru são bem menos significativas do que as atividades da empresa na Bolívia. De acordo com a própria Petrobras, a participação da companhia na produção em território peruano corresponde atualmente a cerca de 13 mil barris de óleo equivalente por dia. Além disso, quando falam em nacionalizar recursos naturais e taxar os lucros de empresas estrangeiras, Humala e García se referem principalmente ao setor de mineração. O Peru é o terceiro maior produtor de cobre e o quinto, de ouro. Outro projeto do atual governo peruano que interessa o Brasil é a construção da rodovia transoceânica, que deve cortar o país e ligar o litoral à fronteira com o Brasil, que passaria a ter uma via de acesso ao Oceano Pacífico. O candidato que mais tem abordado a obra é o ex-presidente Alan García, que, além da rodovia transoceânica, defende a criação de uma zona franca na região da fronteira com a Bolívia. “Quero que tenhamos agricultura, gado e zona franca para que nós vendamos os nossos produtos aos brasileiros”, afirmou García em um comício na reta final de campanha. |
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