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Fim da marcha para ilegais ainda está distante nos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os imigrantes ilegais nos EUA novamente trabalharam com afinco para serem ouvidos. Eles marcaram na segunda-feira, 1º de Maio, sua presença, tanto com ausência no trabalho, num dia em que não é feriado no país, como em marchas realizadas em dezenas de cidades. Eles também deixaram de ir às compras para demonstrar sua contribuição para a maior economia do mundo. Com as iniciativas, uma massa normalmente invisível confirmou ser uma nova força política que exige mudanças na lei de imigração para abrir caminho à cidadania para milhões de ilegais, na grande maioria de origem latino-americana. O recado político era mais do que sonoro nas marchas de segunda-feira com o slogan "ahora marchamos, manãna votamos". Legalização Tamanha e surpreendente mobilização começou como uma reação à legislação aprovada no começo do ano pela Câmara dos Deputados que converte os imigrantes ilegais em criminosos e se transformou em um típico bloco de pressão americano para que haja um compromisso entre projetos de lei circulando no Senado e as medidas passadas na Câmara com vistas a algum tipo de legalização dos não-documentados. Os caminhos da mobilização, porém, agora são mais tortuosos. O problema é que esta nova prova de força muito provavelmente não irá impressionar os criticos dos imigrantes ilegais, que se concentram muito mais nos custos do que nos benefícios que eles representam. E custos para os críticos vão além do debate interminável sobre "roubo" de empregos pelos ilegais e a carga nos serviços sociais ou escolas que eles significam. Há também a advertência sobre os riscos ao próprio conceito de identidade nacional, o que ficou claro na controvérsia dos últimos dias com a divulgação em rádios "hispânicas" de uma versão em espanhol do hino americano. Divisão Os caminhos pelos direitos dos ilegais estão mais tortuosos e existem as encruzilhadas. O próprio movimento está dividido. Não existe unanimidade sobre as táticas que devem ser adotadas. Alguns setores pregam ações mais radicais como o boicote econômico para deixar claro como os ilegais são vitais para a vida americana, enquanto outros temem que o ativismo possa gerar mais oposição à causa. São dilemas típicos em movimentos sociais e políticos. Marcaram, por exemplo, as marchas pelos direitos civis nos tempos de Martin Luther King. Em termos bem imediatos, o preço político da controvérsia sobre o movimento dos imigrantes ilegais ainda precisa ser determinado. Por ora, as propostas de reforma da imigração estão atoladas no Senado. O presidente George W. Bush (com cada vez menos força política) pressiona suavemente o Congresso a aprovar uma lei de compromisso, mas os senadores não chegam a acordo entre eles, enquanto a legislação que passou na Câmara é muito draconiana. O fato concreto é que imigração compartilha neste momento o estrelato com a raiva dos eleitores com os crescentes preços da gasolina. Para a classe política, são duas tremendas dores de cabeça e como de hábito a preferência é por um paliativo para aliviar o sofrimento e não por remédios duradouros. Para os imigrantes ilegais, o fim da marcha está distante. Basta lembrar que o presidente Lyndon Johnson assinou o Ato dos Direitos Civis em 1964, apenas nove anos depois que, para protestar contra a segregação racial, Rosa Parks sentou na frente de um ônibus em Montgomery, Alabama. Um slogan mais realista para os ilegais e seus partidários seria "agora marchamos, um dia votaremos". |
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