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Atualizado às: 18 de abril, 2006 - 18h02 GMT (15h02 Brasília)
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Ataque em Tel Aviv acelera crise entre Israel e Hamas

Ehud Olmert
O premiê Ehud Olmert não negocia com o governo do Hamas
O ataque suicida em Tel Aviv nesta segunda-feira precipitou uma crise que provavelmente seria inevitável durante o governo do Hamas nos territórios palestinos.

A questão é como o novos governos israelense e palestino vão lidar um com o outro.

Ninguém espera nenhuma solução política. É o nível de confronto que precisa ser decidido.

Parece que desta vez, o governo israelense, sob a liderança o primeiro-ministro interino Ehud Olmert, está optando pela contenção de forças.

O governo israelense está responsabilizando o Hamas pelo ataque. O Hamas afirmou que o ataque foi feito em "autodefesa", apesar do suicida ser membro do grupo Jihad Islâmico.

Israel está evitando uma ação militar imediata, e com isso, dando um sinal para o futuro.

Aparentemente, Israel quer continuar reunindo apoio internacional para isolar diplomaticamente o governo do Hamas e este plano poderá ser colocado em risco se a atenção for voltada para a resposta militar israelense.

E Israel quer se concentrar no que pretende ser a imposição de sua própria solução para a região - a determinação unilateral das suas fronteiras, mantendo toda Jerusalém e os maiores blocos de assentamentos.

Fim dos sonhos

A atual visão estratégica israelense foi resumida recentemente por um ex-ministro do partido Likud, Dan Meridor, que percorreu uma rota política semelhante à de Ehud Olmert.

Ele disse a jornalistas em uma visita a Londres: "Dois sonhos acabaram - o sonho de uma Israel maior entre o mar e o Rio Jordão e o sonho de paz depois de um retorno às fronteiras de 1967. Agora temos que encarar a realidade."

O líder político do Hamas Khaled Meshaal, por outro lado, disse à BBC em fevereiro: "O Hamas não vai reconhecer Israel. Não vamos dar legimitidade à ocupação".

Mas se Israel se retirasse para as fronteiras determinadas em 1967, Meshaal disse que o Hamas poderia "possivelmente conceder uma trégua de longo prazo com Israel".

O Hamas não vai aceitar as fronteiras determinadas por Olmert. E Israel não vai aceitar conversas vagas sobre tréguas de longo prazo. Portanto, aí está o beco sem saída.

Alguns israelenses sugeriram uma rediscussão da antiga proposta da Liga Árabe de um acordo regional sob o qual uma total retirada israelense ocorreria em troca de total reconhecimento do Estado de Israel por todos os governos árabes.

Mas esta não é uma proposta realista. São necessárias confiança e intenção de todas as partes envolvidas e isto não existe.

Nível de violência

Cada lado envolvido tem controle sobre a intensidade da violência.

Israel tem o poder de tomar medidas abrangentes. Mas tomar uma medida de maior alcance é uma opção que precisa ser analisada a cada ocasião.

O Hamas vai se opor politicamente a Israel e poderá continuar com a trégua anunciada no ano passado. Se o Hamas encerrasse sua própria trégua, o confronto poderá aumentar e ficar fora de controle.

Os Estados Unidos, provavelmente, vão apoiar qualquer medida de Israel.

Os europeus e outros países não farão nada além do que esperar que o governo do Hamas acabe algum dia.

Europeus e os Estados Unidos já estão cortando a ajuda financeira à Autoridade Palestina e enviando esta ajuda para agências de ajuda humanitária que podem entregar a ajuda diretamente ao povo.

Ambos exigiram mudanças na política do Hamas - mudanças que o grupo militante não vai aceitar.

Por isso, o Hamas está se voltando para o Irã e para outros países muçulmanos.

Diplomatas ainda comentam discretamente sobre o plano americano, europeu, russo e da ONU para o Oriente Médio, o mapa da paz. Mas uma aproximação gradativa atualmente está fora de questão.

Estados Unidos, ONU, Rússia e União Européia, o quarteto, vai se reunir em Nova York no dia 9 de maio.

Até lá todos poderão saber como as novas lideranças, israelense e do Hamas, pretendem lidar uma com a outra.

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