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Atualizado às: 17 de abril, 2006 - 20h39 GMT (17h39 Brasília)
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Grupo de anfíbios alimenta filhotes pela própria pele
Boulengerula taitanus se alimenta da mãe (Foto: A. Kupfer)
Pele da mãe fica rica em nutrientes no período do nascimento
Um grupo internacional de cientistas, que inclui dois brasileiros, encontrou um animal que utiliza nutrientes secretados por sua própria pele para alimentar seus filhotes.

No período de nascimento dos filhotes, o anfíbio, que é chamado de cecília e é parecido com uma minhoca, começa a secretar uma substância leitosa, rica em nutrientes.

Os filhotes, dotados de dentes especiais em formato de colher, raspam a substância presente na pele da mãe.

Esse método de alimentação de filhotes, nunca verificado antes em anfíbios, foi descrito em artigo publicado na mais recente edição da revista científica Nature.

A descoberta pode ser útil no entendimento de como os métodos de alimentação de filhotes evoluíram em diferentes espécies de animais, incluindo os mamíferos.

Os brasileiros Carlos Jared e Marta Antoniazzi, do Instituto Butantan, e outros cinco pesquisadores de diversos países assinam o artigo.

Sul da Bahia

De acordo com os cientistas, a mãe parece "relaxada" quando os bebês raspam sua pele.

O anfíbio Boulengerula taitanus, conhecido popularmente como cobra-cega, é encontrado nas montanhas Taita, no sudeste do Quênia. É cego, vive no subsolo e pode alcançar até 30 centímetros de comprimento.

Os adultos têm duas fileiras de dentes pontiagudos e se alimentam de insetos. A espécie foi identificada em 1935, mas o método como alimenta seus filhotes nunca havia sido descrito pela ciência.

A descoberta teve origem em um estudo anterior, realizado por cientistas brasileiros no sul da Bahia, em 1993.

Ao observar uma outra espécie de cobra-cega, a Sipnhonops annulatus, os pesquisadores notaram que, após o nascimento dos filhotes, a cor da pele da mãe se alterava.

Como os filhotes não saíam de perto da mãe, os pesquisadores começaram a suspeitar que talvez a fêmea secretasse alguma substância, o que explicaria a mudança na cor de sua pele.

Expedição

A hipótese levantada pelos brasileiros culminou em uma expedição da equipe internacional de cientistas para estudar a Boulengerula taitanus no Quênia.

Os especialistas recolheram alguns animais e colocaram câmeras para filmar seu comportamento.

"Os bebês saem do ovo, mas não são muito bem desenvolvidos", explica o pesquisador Alexander Kupfer, zoólogo do Museu de História Natural, em Londres, e um dos co-autores do artigo.

A equipe observou que os filhotes passeiam pela mãe, que não se mexe e não se alimenta durante essa fase. Os bebês, no entanto, aumentam de peso em média um grama por dia.

"Você pode estabelecer paralelos entre a alimentação através da pele nessas criaturas e a amamentação nos mamíferos", disse Mark Wilkinson, outro cientista do grupo.

O fato de esse método de alimentação ter sido encontrado também no sul da Bahia indica que esse comportamento existe há pelo menos 150 milhões de anos, antes da divisão de continentes que separou a América do Sul e a África.

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