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Documentário da BBC recria monstros marinhos pré-históricos
O zoólogo Nigel Marven quer levar os telespectadores de um novo documentário da BBC em uma volta no tempo para visitar um mundo de criaturas aquáticas espetaculares. Sea Monsters (ou 'Monstros Marinhos') utiliza um formato semelhante ao de séries anteriores como Giant Claw ('Garra Gigante') e The Land of Giants ('A Terra dos Gigantes') para reviver sete eras geológicas entre 450 e 4 milhões de anos atrás. A série tem o objetivo de informar os telespectadores enquanto eles acompanham Marven em sua caça perigosa ao monstro marinho mais mortal que já existiu. Alguns cientistas temem, no entanto, que o programa acabe sacrificando a precisão científica em nome do entretenimento proporcionado por imagens espetaculares – uma crítica que foi dirigida à BBC no passado, quando foram produzidos programas milionários do mundo animal na pré-história, tais como Walking With Dinosaurs ('Caminhando com os Dinossauros'). Dentes afiados Sea Monsters é um festival de dentes afiados e grandes mandíbulas. Um tema constante é o aguilhão que Nigel Marven usa ao se aproximar de uma lula gigante. Freqüentemente esses encontros são seguidos da imagem de um filete de sangue na água.
Sea Monsters custou quase R$ 15 milhões e foi formulado para agradar gente de todas as idades. Mas, no meio da ação, há fatos históricos importantes. Os produtores do programa querem mostrar aos telespectadores um mundo mágico que deixou de existir e ensinar algo sobre os animais estranhos e fascinantes que viveram nele. "Nós criamos a imagem dos animais a partir de informações contidas no maior número possível de fontes", disse Jasper James, produtor executivo de Sea Monsters. "Nós conversamos com paleontólogos e zoólogos para sermos o mais precisos possível. Nós não dissemos nada que não houvesse evidências para comprovar", afirma James. Escorpião marinho gigante No primeiro programa, os calcanhares de Marven estão na mira de um escorpião marinho gigante – ou eurypterideo – que viveu 450 milhões de anos atrás, no Período Ordoviciano. O Período Ordoviciano foi caracterizado por charcos e baixos níveis de oxigênio, pois a vegetação ainda era escassa. Os eurypterideos eram os ancestrais dos escorpiões dos nossos dias, mas tinham um metro de comprimento. Eles tinham condições de respirar na água ou em terra, e foram um dos primeiros anfíbios do planeta.
Nigel Marven deixa sua balsa em uma praia do Período Ordoviciano onde há muitos escorpiões marinhos, que acabam furando sua balsa inflável. "Eles se reuniam em massa nas praias para procriar ou mudar o esqueleto externo", disse Simon Braddy, um paleontólogo da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha. "Às vezes, durante essas reuniões maciças, eles comiam uns aos outros – há registro de canibalismo", afirmou Braddy, que é especialista em escorpiões marinhos gigantes. O paleontólogo está convencido de que Sea Monsters retratou essas criaturas com o máximo de exatidão possível. Arrepios Sea Monsters é bem diferente do estilo tradicional de documentário de história natural. Seu objetivo é informar, mas também dar arrepios à audiência. O telespectador poderá se sentir como uma criança na frente de uma peça infantil exagerada. "Nós não achamos que é paternalismo", disse James. "Se você pode se divertir com o drama de um programa enquanto aprende, é ótimo." Mas Richard Dawkins, acadêmico especializado na divulgação de ciência para os leigos, não ficou muito bem impressionado com a série. "Eu acho que os programas de Nigel Marven são horríveis, horríveis", afirmou Dawkins. "Parece que eles pensam que o público é tão burro que não consegue se diverir com o espetáculo dos próprios animais", disse o acadêmico. Dawkins manifestou preocupação com a fronteira nebulosa entre o que se sabe e o que se especula. De acordo com o acadêmico, o comportamento sexual e os hábitos de procriação dos animais pré-históricos só podem ser adivinhados, mas isso não fica totalmente claro no programa. |
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