|
Pesquisa diz que 300 espécies ameaçadas não são protegidas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma pesquisa divulgada pela revista científica Nature indica que pelo menos 300 espécies de animais que correm sério risco de extinção em todo o mundo não são protegidas por unidades de conservação. O estudo, conduzido pelo Centro de Ciências Aplicadas à Biodiversidade (CABS) da ONG Conservation International, indicou que 11% das espécies em extinção que foram pesquisadas no Brasil não contam com nenhuma proteção. “O que o estudo revelou é que as espécies mais desprotegidas são as de pouca distribuição, principalmente anfíbios, alguns primatas, roedores e algumas árvores”, disse à BBC Brasil Gustavo Fonseca, vice-presidente-executivo para Ciência da ONG e professor de zoologia da Universidade Federal de Minas Gerais, um dos co-autores do estudo. Segundo ele, no Brasil, a vasta maioria das espécies sem proteção é típica da Mata Atlântica. Revisão de estratégias “Várias espécies dependem de ambientes críticos da Mata Atlântica para sua sobrevivência”, disse Fonseca, explicando que também foram encontradas espécies em extinção desprotegidas no Cerrado e na Amazônia.
Na pesquisa, 21 cientistas, representando 15 organizações, avaliaram a situação de 11.633 espécies consideradas vulneráveis, ameaçadas e sob sério risco de desaparecer. Entre elas, foram estudadas 1.171 espécies de aves, 4.735 de mamíferos, 5.454 de anfíbios e 273 espécies de tartarugas de água doce. Os cientistas verificaram os locais onde essas espécies são encontradas e fizeram um estudo da presença das áreas de conservação nesses biomas. As chamadas “espécies-lacuna”, as que não têm proteção alguma até agora, são o centro do estudo – que pede uma revisão das estratégias de conservação para salvar esses animais e plantas. Avanço No caso do Brasil, Gustavo Fonseca reconhece que o país tem uma área de proteção maior do que outros países da própria América Latina, como o México. “Em geral, houve um crescimento nos últimos anos, mas, nos últimos três, quatro anos, um certo declínio na criação de novas unidades de conservação”, disse ele. O zoólogo explica que uma meta estabelecida em 1992 para que, no mínimo, 10% da área da Terra fosse de reservas de proteção foi até superada. Hoje, cerca de 12% da área do planeta é legalmente protegida. “Apesar do investimento ter sido significativo, inclusive no Brasil”, disse Fonseca, “essa porcentagem (de áreas protegidas) não está distribuída nas áreas onde é mais necessária, nas áreas onde temos biodiversidade ameaçada com alto grau de endemismo, ou seja, distribuição restrita”. Para Fonseca, estudos como o feito com as espécies-lacuna vão ajudar os governos a elaborar políticas voltadas a proteger as espécies ameaçadas – o que, no caso das estudadas por ele neste documento, não exigiria investimentos volumosos. “Normalmente, elas (as espécies-lacuna) dependem de um ambiente muito pequeno. O custo de completar esse sistema para proteger essa fração da biodiversidade ameaçada é relativamente pequeno, explicou. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||