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Análise: Com Prodi, Itália será mais UE e menos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A eleição da coalizão de Romano Prodi - se os resultados atuais não forem contestados - vai significar uma guinada para a esquerda na política externa italiana, e um fim às políticas pessoais conduzidas por Silvio Berlusconi. Prodi não é um homem exuberante, então não se ouvirá as tiradas imprevisíveis da era Berlusconi. O líder da centro-esquerda italiana é um político experiente, que aprendeu muito desde os seus tempos como professor de política industrial da Universidade de Bolonha. Ele já derrotou Berlusconi antes, nas eleições de 1996 (embora seu governo tenha durado apenas dois anos). Depois, tornou-se presidente da Comissão Européia. Europa unida Prodi vai buscar aproximar a Itália da União Européia (UE), em detrimento dos Estados Unidos. Ele se opôs fortemente à invasão do Iraque, e disse, em 2004, que a Europa poderia ter impedido que ela ocorresse. Pode-se alegar que esta é uma visão pouco realista de um federalista europeu, mas não há dúvida de sua convicção de que a Europa se sai melhor quando faz as coisas unida. Ele apoiou fortemente o desenvolvimento do euro, a Constituição proposta, que foi rejeitada por França e Holanda, e uma política externa européia conjunta. Mas nem uma Constituição nem uma política externa unificada virão logo, se é que se chegará a elas. Assim, as ambições de Prodi para a Europa não serão concretizadas. E, de acordo com o jornal britânico Financial Times, "a chegada da centro-esquerda ao poder na Itália e o enfraquecimento do governo de centro-direita na França não farão nada para avançar a causa da reforma no nível da União Européia". Economia Além disso, Prodi pode ter que passar a maior parte de seu tempo reparando a economia da Itália. "Ele não irá muito para a esquerda, então será um governo centrista, esquerdista moderado", diz Paola Subacchi, do International Economics Programme, em Londres. "A precariedade de sua maioria e a composição de sua coalizão vão impedir que ele realize todas as políticas de que a Itália precisa, mas ele vai tentar implementar alguma redução de impostos e estimular a competitividade e reduzir custos trabalhistas." Prodi também vai levar a cabo a decisão, já tomada, de retirar as tropas italianas do Iraque. Rússia
Com o novo líder italiano, provavelmente as relações com a Rússia vão esfriar. Berlusconi gostava de conduzir uma diplomacia pessoal, e fez isso com o presidente russo, Vladimir Putin, na avaliação de Paola Subacchi. No momento, a Itália vive um quadro de debilidade na Europa, com baixo crescimento econômico, e não está claro o quanto Prodi poderá mudar isso. Sua influência nos corredores europeus do poder vai depender, em parte, no seu sucesso nessa tarefa. Na falta de uma política externa comum, é assim que a União Européia funciona. O desenvolvimento da diplomacia européia em relação ao Irã, por exemplo, mostrou como a Itália saiu da "primeira divisão". França, Alemanha e Grã-Bretanha é que conduzem as negociações na questão nuclear. Provavelmente Prodi vai ter uma postura de empatia com os palestinos e atuar como um freio sobre aqueles na União Européia que querem uma confrontação com o Hamas e cortar as relações com o grupo o mais que puderem. O processo de paz do Oriente Médio, tal como está, é uma área onde a União Européia tenta agir em conjunto e, no que diz respeito a ajuda, tem que fazer isso, pois os recursos são acertados conjuntamente. Mas a principal diferença entre Prodi e Berlusconi deverá ser em estilo. A Itália parece estar a caminho de um período de sobriedade e isto vai se refletir em sua política externa. |
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