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Para EUA, eleição na Itália reflete Europa precária | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
George W. Bush já viu este filme italiano com Romano Prodi e Silvio Berlusconi. Na verdade, ele encenou o drama eleitoral com Al Gore no ano 2000, com a vitória por um fio, o suspense dos resultados e a cobrança por recontagem dos votos. O desfecho americano foi um país polarizado, o que tampouco é um novo enredo na Itália, apesar da façanha de Berlusconi como o primeiro-ministro campeão de longevidade depois da Segunda Guerra Mundial. Na Itália, o desfecho é a coalizão de centro-esquerda de Prodi precariamente instalada no poder. É difícil apostar na sua longevidade. Nos principais países europeus é um quadro igualmente precário. Do outro lado do Atlântico, as coisas não são mais vigorosas com Bush amargando sua mais baixa taxa de aprovação em mais de cinco anos de governo e um Congresso paralisado e, assim como o Executivo, desacreditado. Coalizão miúda O grande foco de fraqueza de Bush é o Iraque e com a derrota de Berlusconi (ainda não oficializada), a coalizão pró-americana fica ainda mais miúda. É a principal perda na Europa para a diplomacia de Washington depois da partida do conservador espanhol José María Aznar, substituído há dois anos pelo social-democrata José Luis Rodríguez Zapatero. O Iraque não chegou a ser um tema palpitante na campanha italiana. Berlusconi se notabilizou por seu leal apoio à política externa de Bush apesar da oposição da opinião pública ao envio de tropas italianas ao Iraque. Prodi prometeu trazer as tropas de volta o mais cedo possível, mas a controvérsia murchou, pois Berlusconi anunciou a retirada do contingente até o final do ano. E já nesta terça-feira, antes mesmo da oficialização dos resultados eleitorais, mas já se declarando vitorioso, Prodi antecipou que irá manter "relações construtivas" com os EUA. Não vem muito ao caso o que Prodi quer dizer com isto. O fato concreto é que ele não tem sólidos pilares para iniciar sua gestão. O drama eleitoral na Itália coincidiu com a agitação política e social na França, que culminou na decisão do presidente Jacques Chirac de desistir de uma lei trabalhista mais flexível para contratar e demitir os jovens. Descontentamento Como observou o Wall Street Journal na edição de terça-feira, a instabilidade na Itália e na França é parte de um amplo descontentamento na Europa com sua liderança política. Bush perdeu um aliado do peito com a derrota de Berlusconi, mas não chega a ser um grande consolo ver o desgaste de uma figura como Jacques Chirac, com o qual o presidente americano tem, para dizer o mínimo, uma relação muito complicada. Existe este cenário de precariedade na Europa e isto não é bom no geral para a aliança transatlântica. Mesmo o futuro do trabalhista Tony Blair, o aliado número um de Bush, é incerto, em meio a pressões para que o primeiro-ministro britânico não finalize seu terceiro e último mandato. Na Alemanha, o social-democrata Gerhard Schroeder (que ao lado de Chirac liderou o bloco antiamericano na Europa contra a invasão do Iraque) perdeu o poder para a democrata-cristã Angela Merkel em setembro, mas o governo da dirigente conservadora, supostamente mais afinada com Washington, é precário. Merkel subsiste graças a uma "grande coalizão" com os social-democratas. Os americanos vêem um quadro nebuloso do outro lado do Atlântico. Mas os europeus tampouco enxergam as coisas com clareza no país de Bush e de uma oposição democrata que ainda não soube capitalizar o desgaste republicano. Por enquanto, as tramas dos dois filmes são melancólicas. |
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