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Atualizado às: 07 de abril, 2006 - 23h34 GMT (20h34 Brasília)
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Investir na credibilidade pode não valer a pena, diz Stiglitz

Joseph Stiglitz
Stiglitz: Juros altos são o principal fator que impede o crescimento
O economista Joseph Stiglitz disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva corre o risco de ter investido os últimos anos em ganhar credibilidade no mercado financeiro sem nunca atingir um crescimento econômico que compense o sacrifício.

"A estratégia de primeiro conseguir credibilidade pode funcionar, mas tem um risco. O Brasil pode ter tido vários anos de crescimento baixo sem ganhar nada com isso", afirmou. Ele vê a elevada taxa de juros paga pelo governo como o principal fator que impede o crescimento econômico no Brasil.

"A elevada taxa de juros, a maior taxa de juros real do mundo, aumenta a dívida do governo e redistribui para os donos de bônus do governo os impostos pagos por todos. É um fator que segura o crescimento", afirmou no seminário
"Development Contrasts - The Puzzling Case of Brazil" (As Contradições do Desenvolvimento - O Intrigante Caso do Brasil), no Banco Mundial.

O evento foi promovido para lançar o livro Por Dentro do Brasil - Desenvolvimento num País de Contrastes, do economista Vinod Thomas, do Banco Mundial.

'Falta de ambição'

O economista, que já foi vice-presidente da instituição e hoje é professor da Universidade de Columbia, em Nova York, criticou os brasileiros pela falta de ambição e por se conformarem com um crescimento baixo. "Uma constante na América Latina e no Brasil é a redução de expectativas. Um crescimento de dois e pouco por cento já ficam felizes. Deveriam ter expectativas maiores."

Stiglitz diz que o problema da falta de crescimento deriva da política monetária
"excessivamente dura" colocada em prática desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O governo passou quatro anos tentando estabelecer a credibilidade com os mercados financeiros", afirma.

Ele disse que a situação brasileira lembra a do governo Clinton, que preferiu reduzir o superávit fiscal dos Estados Unidos em vez de cumprir a plataforma de gastos sociais prometida na campanha. "Tudo isso para que esses recursos fossem gastos no governo seguinte com um corte de impostos que beneficiou as pessoas mais ricas do planeta", afirmou.

Stiglitz disse que é incrível que "no Brasil as exportações crescem sem que a economia cresça".

A economista Liliana Rojas-Suarez, pesquisadora do Centro para Desenvolvimento Global, disse que teme que o grande volume de recursos financeiros em direção à América Latina e ao Brasil não durem muito. Ela diz que "não tem certeza" se o país é capaz de garantir um volume constante de recursos.

Ela considera um erro a estratégia brasileira de atrair capitais mantendo os juros elevados e disse que mesmo a troca de dívidas em dólar por papéis em reais não significa necessariamente um bom negócio, já que esses papéis têm prazos menores e têm que ser renovados com mais freqüência. "O Brasil preferiu agradar as agências de rating e trocou a dívida de longo prazo em dólares por dívida de curto prazo em reais. O risco permanece", afirmou.

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