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Atualizado às: 05 de abril, 2006 - 16h02 GMT (13h02 Brasília)
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Comissão 'não deve incriminar' policiais do caso Jean, diz jornal
Jean Charles de Menezes
Jean Charles de Menezes foi confundido com um homem-bomba
O jornal britânico Evening Standard diz, na sua edição desta quarta-feira, que a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) teria sugerido, em seu relatório sobre a morte de Jean Charles de Menezes, que não haja uma ação criminal contra os policiais envolvidos no caso.

Segundo o diário, o relatório, que foi enviado ao Ministério Público britânico (CPS, na sigla em inglês), teria recomendado apenas uma ação administrativa contra Cressida Dick, a policial responsável pela área de armas de fogo na Polícia Metropolitana de Londres.

"A impressão é que a IPCC vai querer uma audiência disciplinar e que será para a oficial em comando", teria dito uma fonte anônima ao jornal.

De acordo com a IPCC, entende-se por "audiência disciplinar" um alerta formal da chefia a um funcionário. No caso mais sério, a pessoa pode ser afastada do cargo.

O Evening Standard afirma ainda que "é esperado que o relatório da IPCC libere a maioria ou, possivelmente, todos os outros policiais envolvidos e recomende que eles não enfrentem ação criminal ou disciplinar". E complementa: "(O) relatório não conterá nenhuma crítica ao chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair".

"Especulação"

Procurada pela BBC Brasil, a assessoria de imprensa da IPCC descreveu a reportagem do Evening Standard como "especulação".

O relatório da investigação da IPCC está, atualmente, nas mãos da promotoria, que irá decidir se haverá uma acusação criminal ou não contra os policiais.

Após a decisão da CPS, por volta de junho, a IPCC entrará em contato com a Polícia Metropolitana para uma possível ação administrativa.

O relatório da IPCC somente deverá ser tornado público no final do ano.

Detalhes

A reportagem publicada na capa do diário diz que a IPCC deve "criticar" Cressida Dick por sua "falta de clareza" ao dar ordens aos atiradores.

"Ela será a policial de mais alto escalão criticada no relatório sobre a morte de Menezes, de 27 anos, na estação de metrô de Stockwell no dia 22 de julho, ao ser confundido com um homem-bomba", diz o texto.

O Evening Standard publica também alguns detalhes sobre a operação policial que estariam no relatório da IPCC.

"Um detalhe chave que o relatório deve revelar é que a unidade da polícia armada que atirou em Menezes, um brasileiro que trabalhava de eletricista, apenas chegou a Stockwell quando ele entrou na estação de metrô."

De acordo com o diário, os policiais dessa unidade especial ficaram presos no trânsito e não puderam interceptá-lo antes.

Outra informação publicada pelo Evening Standard é a de que os policiais que estavam vigiando a casa de Menezes estavam armados, mas "só tinham autorização para atirar em caso de auto-defesa e não estavam completamente treinados como especialistas em armas de fogo".

A demora no reconhecimento de que Menezes não era um dos suspeitos dos ataques frustrados do dia 21 de julho teria ocorrido, entre outras razões, porque, segundo o jornal, o brasileiro levou um tiro na cabeça e ficou difícil de compará-lo com a foto que estava na carteira de identidade.

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