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Atualizado às: 02 de abril, 2006 - 15h21 GMT (12h21 Brasília)
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Investigação do caso Jean Charles corre risco, dizem jornais
Jean Charles de Menezes
Jean Charles foi morto pela polícia em julho numa estação de metrô
As investigações independentes sobre o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes pela polícia em Londres no ano passado podem estar ameaçadas pela renúncia da chefe da agência responsável pelo inquérito e pelo afastamento de outro membro da agência por acusações de condutas sexuais inapropriadas, segundo reportagens publicadas neste domingo pelos jornais The Sunday Times e The Mail on Sunday.

A reportagem do Mail on Sunday relata a renúncia de Susan Atkins, a chefe da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), após uma série de vazamentos sobre o andamento da investigação.

Segundo o jornal, a renúncia de Atkins, que havia assumido o cargo em 2003, deve ser vista como uma vitória para o chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair, que corre o risco de perder seu cargo caso a investigação aponte falhas em sua conduta no caso Jean Charles.

A reportagem observa que a IPCC e a Polícia Metropolitana estão “em pé de guerra” por causa da investigação sobre os erros cometidos pela polícia ao confundir Jean Charles com um terrorista e matá-lo com sete tiros na cabeça.

O incidente ocorreu na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, em 22 de julho do ano passado, um dia após uma série de atentados frustrados ao sistema de transporte de Londres e duas semanas após os atentados que deixaram mais de 50 mortos.

A reportagem do Mail on Sunday afirma ainda que inicialmente Ian Blair tentou impedir a investigação sobre o assassinato de Jean Charles, mas acabou vencido. Vazamentos sobre as investigações mostraram depois incoerências e mentiras na versão inicial da polícia para o incidente.

Segundo o jornal, um porta-voz da IPCC negou que a saída de Atkins esteja ligada aos vazamentos ou mesmo ao caso Jean Charles. Segundo ele, a renúncia foi uma decisão pessoal após uma reforma administrativa que significaria um acúmulo de funções para ela.

Suspensão

Outra reportagem, publicada pelo Sunday Times, afirma que outro importante membro da IPCC, Laurence Lustgarten, foi suspenso de seu cargo após uma colega ter denunciado um suposto comportamento sexual inadequado.

Segundo o jornal, o afastamento de Lustgarten foi revelado por fontes da Polícia Metropolitana descontentes com a forma como a IPCC vem conduzindo a investigação do caso Jean Charles e com a possibilidade de Ian Blair vir a ser afastado por conta dessa investigação.

Para a reportagem, o vazamento da informação sinaliza uma escalada nas hostilidades entre a Polícia Metropolitana e a IPCC por conta da investigação sobre a morte do eletricista brasileiro.

O jornal diz que oficiais da polícia pretendem com a revelação sobre Lustgarten “questionar a autoridade da IPCC para julgar a conduta dos outros”.

Mudanças

Uma terceira reportagem, publicada neste domingo pelo jornal The Sunday Telegraph, diz que as investigações da IPCC pedem uma mudança “urgente” na forma como a polícia registra seus próprios relatos de incidentes fatais durante seu trabalho.

A IPCC estaria preocupada com a maneira como os oficiais podem conversar entre si e coordenar o registro dos eventos em que estiveram envolvidos.

Segundo o jornal, uma das sugestões previamente levantadas pela IPCC é que os oficiais envolvidos em tiroteios com mortes tenham seus relatos individuais gravados em vídeo o mais rápido possível após os incidentes, para garantir a maior independência possível em seus relatos.

Citado pelo Sunday Telegraph, o sub-comissário assistente da Polícia Metropolitana, John Yates, disse que a corporação “está determinada a aprender quaisquer lições dos trágicos eventos de julho de 2005” e que a polícia está “grata à IPCC pelas recomendações”.

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