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'Vou sentir muita falta daqui', diz Marcos Pontes | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O cosmonauta brasileiro, tenente-coronel Marcos Pontes, disse nesta segunda-feira que "vai sentir muita falta" da Estação Espacial Internacional, em sua primeira entrevista coletiva a bordo da nave que orbita a Terra. "Esta é uma missão curta. Até agora completei cerca de 60% dos experimentos e está tudo indo bem. É uma experiência maravilhosa. Tenho certeza de que vou sentir muita falta deste lugar na semana que vem", afirmou Pontes, acrescentando que a sua saúde também vai bem. A respeito da proximidade do retorno à Terra, marcado para o dia 8 de abril, sábado (ele deve tocar o solo do Cazaquistão na madrugada de domingo), o astronauta brasileiro disse que ainda não está preocupado. "No momento, eu estou aproveitando o tempo aqui, fazendo os experimentos e me preparando. Ainda não tive tempo para pensar no retorno. Tenho bastante experiências para contar, muita história, e pretendo passar isso especialmente para os jovens do país." Entre as várias respostas a jornalistas brasileiros e estrangeiros, o astronauta revelou qual foi o seu primeiro sonho na estação orbital. "Eu sonhei que estava voando sozinho, sem a ajuda de aviões. Aí acordei e vi que estava voando sozinho, sem a ajuda de aviões. Isso foi interessante", contou Pontes. Agradecimento Pontes aproveitou a entrevista para agradecer ao apoio de todos os que ajudaram na realização da missão. "A cada vez que a gente passa em cima do Brasil - eu passo várias vezes -, eu penso em todas as pessoas que sempre durante este tempo todo deram apoio a esse projeto. Acho que essa idéia de perseverança vai ficar para o futuro", afirmou o cosmonauta. Em outra resposta, o astronauta resumiu para um jornalista estrangeiro o que acha que o vôo dele significa para o Brasil. "Imagino que para o país inteiro é um evento grande, histórico. Estamos esperando isso há tempos e este ano se completa o primeiro centenário do vôo de Santos Dumont, o primeiro aviador do meu país, e isso é muito significativo", respondeu Pontes, em inglês. O cosmonauta também disse estar curioso sobre como será a readaptação à gravidade. "Aqui se você deixar no lugar, tudo fica parado. Acho que no começo vão acontecer algumas situações interessantes, vamos ver", disse. Emoção de pai O astronauta refletiu também sobre a emoção que o pai dele deve sentir por saber que o filho é o primeiro brasileiro no espaço. "Meu pai foi uma pessoa que trabalhou muito na vida para conseguir criar a gente. Tenho certeza de que ele deve estar sentindo muito orgulho." O tenente-coronel Marcos Pontes está orbitando a Terra a bordo da Estação Espacial Internacional desde sábado, quando a nave Soyuz TMA-8 se acoplou ao satélite depois de dois dias de viagem. Pontes partiu do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, no dia 30 de março, às 8h30, no horário local, (23h30 de quarta-feira, em Brasília), ao lado dos dois outros tripulantes da nave russa, o russo Pavel Vinogradov e o americano Jeffrey Williams. Como parte da missão Centenário, Pontes está realizando oito experimentos científicos encomendados a diversos pesquisadores brasileiros pela Agência Espacial Brasileira (AEB). Nesta segunda-feira, o cosmonauta brasileiro se dedicou a continuar o experimento "VCM – Nuvens de Interação Proteica", do Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA/MCT). Vagalume O objetivo do estudo é pôr à prova as substâncias responsáveis pela luz que emana dos vagalumes para coletar dados que, no futuro, possam ajudar no desenvolvimento de biossensores ambientais, instrumentos que possam detectar substâncias em amostras. Pontes também continuou o experimento SEEDS, que observa sementes de feijão em ambiente de microgravidade, que tem a participação de alunos da rede pública de São José dos Campos, em São Paulo. O astronauta também continua o GSM – Germinação de Sementes em Microgravidade – da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e o experimento com Minitubos de Calor, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que tenta estudar a aplicação de minitubos para o controle de temperatura de componentes eletrônicos em ambientes espaciais. Por último, Pontes deve iniciar o experimento com Evaporadores Capilares, também da UFSC, que tenta desenvolver e aperfeiçoar o conhecimento de controle térmico para satélites, e vai continuar pelos próximos quatro dias. O projeto pode contribuir para o Brasil conquistar a autonomia neste setor e abrir o mercado brasileiro de alta tecnologia. A programação do cosmonauta para esta segunda-feira também prevê um contato direto com radio-amadores brasileiros. |
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