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Atualizado às: 20 de março, 2006 - 22h28 GMT (19h28 Brasília)
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Dilema de Bush é seguir no Iraque sem apoio popular

George W. Bush
Quase 60% dos americanos acham que situação no Iraque vai mal
Neste dia 20, terceiro aniversário da invasão do Iraque liderada pelos EUA e já no quarto ano de guerra, o presidente George W. Bush intensificou sua campanha para conter a derrapagem do apoio da opinião pública americana ao que ele está fazendo no Oriente Médio.

No seu discurso na cidade de Cleveland, Bush disse entender que "alguns" americanos estejam com a confiança abalada em relação ao Iraque. Trata-se da maioria dos americanos.

A lição da guerra do Vietnã é mais do que conhecida. Sem apoio popular não dá para vencer. Pior: não dá para empreender a guerra.

Bush e seus assessores, no entanto, insistem que não prestam atenção às pesquisas de opinião pública. O que conta é a missão.

Perspectiva

No domingo, o vice-presidente Dick Cheney (o grande arquiteto da invasão) afirmou que é preciso ver o conflito em perspectiva, visualizar o que será do Iraque em dez anos. E, de fato, é esta perspectiva histórica que irá definir o legado do governo.

Mas a opinião pública e políticos em campanha eleitoral (o que não é o caso de Bush, no seu segundo e último mandato) não podem se dar a estes luxos históricos.

Mesmo para o governo será inviável manter o curso no Iraque caso não consiga conter a hemorragia. A sociedade americana está desolada com a duração da guerra e incerta sobre o seu desfecho.

Isto ainda não significa que a maioria apóie a retirada imediata das tropas americanas do país.

Mas à medida em que o Iraque fica mais próximo da guerra civil (algo que Bush e assessores insistem em negar, embora reconheçam o recrudescimento da violência sectária), as atitudes da opinião pública americana se tornam mais agudamente negativas.

Visão realista

Sintomaticamente, desde a invasão, esta opinião pública sempre teve uma visão mais realista do que o governo sobre as dificuldades no Iraque. Por exemplo, já em abril de 2003, 84% dos entrevistados em uma pesquisa Gallup/CNN/USA Today disseram que a reconstrução do país seria mais difícil do que a derrubada em si do regime de Saddam Hussein.

Em um sumário das atitudes da opinião pública, o conservador American Enterprise Institute concluiu que "os americanos nunca tiveram ilusões" sobre o Iraque.

É um contraste a bravatas como as do vice-presidente Dick Cheney, de que as tropas invasoras seriam recebidas como libertadoras ou a definição dada por ele há dez meses à insurgência como estando "nos últimos estertores".

A corrosão do apoio popular ao curso da guerra empreendido pelo governo foi sistemática, com exceção de dois eventos: a captura de Saddam Hussein e a primeira rodada das eleições iraquianas.

Derrapagem

No final do ano passado, após uma nova rodada eleitoral e uma maciça campanha de relações públicas da Casa Branca, a erosão foi fugazmente contida.

Mas nos últimos dois meses é uma derrapagem do apoio popular a Bush que parece ser irrefreável. Em janeiro, na pesquisa Gallup/ CNN/ USA Today, 53% disseram que as coisas iam mal no Iraque.

Na semana passada, o número saltou para 60%. A derrapagem acontece em todas as partes dos EUA e independe de sexo e idade.

O que é perturbador para Bush é que diminui o fosso entre republicanos e democratas. É verdade que ainda é imenso, pois para 74% dos republicanos existe luz no fim do túnel, em contraste à opinião de apenas 34% dos democratas.

Mas a Casa Branca enfrenta uma crescente insurgência entre os congressistas republicanos (que realmente está longe dos últimos estertores). Tendo como referência as eleições de novembro, os congressistas fazem os seus próprios cálculos políticos e de certa maneira refletem o desencanto que se alastra na sociedade.

O que está acontecendo no estado de Nebraska é ilustrativo. Um dos seus dois senadores, o republicano Chuck Hagel, tem aspirações presidenciais e há tempos é crítico da política governamental no Iraque.

Nebraska, no entanto, tem uma das populações mais conservadoras do país. Nas eleições de 2004, foi o estado com a terceira maior percentagem de votos dados a Bush.

Hagel agora diz que a população de Nebraska resiste menos às críticas que ele faz sobre a situação no Iraque. Se Bush continua na guerra com menos apoio até de Nebraska, as suas perspectivas históricas serão melancólicas.

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