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Atualizado às: 07 de março, 2006 - 20h46 GMT (17h46 Brasília)
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Alta do real pode estar no fim, diz Furlan

Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Furlan: Medidas do governo reduzem chance de valorização
O ministro da Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, disse nesta terça-feira que o processo de valorização do real em relação ao dólar pode estar chegando ao fim e que a maior probabilidade é que o valor da moeda brasileira comece a cair.

Em entrevista à BBC Brasil, Furlan disse que medidas tomadas pelo governo brasileiro nos últimos meses, como o pagamento de parcelas da dívida externa e o lançamento de papéis da dívida atrelados ao real, apesar de não terem gerado o efeito desejado de controlar a valorização da moeda brasileira, reduziram o potencial para uma valorização ainda mais acentuada.

“Eu diria que o espaço para baixar se reduziu muito, enquanto não se reduziu o espaço para a recuperação”, disse Furlan, que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua visita oficial à Grã-Bretanha.

“Poderia haver talvez mais 10% de queda na taxa de câmbio, mas eu diria que a possibilidade de crescimento da taxa é hoje de mais de 50%”, afirmou o ministro.

‘Razão’

Para Furlan, os empresários dos setores exportadores “reclamam do câmbio com uma certa razão”. “Há um ano ninguém apostaria que o nível da taxa de câmbio estaria balizado como é hoje, em pouco mais de R$ 2”, afirmou.

Porém ele diz não acreditar que haja algum perigo de desindustrialização por conta da queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo, num processo semelhante ao ocorrido na Argentina nos anos 1990, quando o câmbio fixo provocou uma queda acentuada nas exportações daquele país.

“Há segmentos da economia brasileira que seguem altamente competitivos. Outros sofrem mais com a valorização do real, principalmente aqueles setores que têm uso de matéria-prima e mão-de-obra predominantemente brasileiras, portanto com os pagamentos em real”, disse o ministro.

“Outros setores que sofrem são aqueles onde há uma certa concentração no mercado comprador, como fornecedores de calçados para grandes cadeias de lojas nos Estados Unidos. A possibilidade de aumentar o preço é muito baixa. Outros setores conseguiram reajustar os preços e manter a rentabilidade”, afirmou.

Para Furlan, apesar da valorização do real as exportações brasileiras se mantêm em crescimento “principalmente por causa das grandes empresas que investiram em modernização e que estão consistentemente buscando novos mercados fora do país”.

Juros

Questionado sobre suas expectativas em relação à reunião do Copom que decide nesta semana sobre uma possível redução na taxa básica de juros, a Selic, Furlan disse que “provavelmente o Copom vai ter uma atitude conservadora, como sempre teve”.

Furlan disse que não é sua função avaliar o Copom, “uma entidade razoavelmente hermética, que talvez nem tenha avaliadores”. “Cada um tem sua função no governo. Mas acredito que o Copom esteja imbuído na sua melhor vontade de baixar as taxas de juros”, disse.

Para ele, se forem comprovadas as expectativas dos analistas, um eventual corte na Selic deve levar a taxa ao mesmo nível de setembro de 2004. “Não tenho profundidade de dados como tem o Banco Central nesta área, mas o que podemos notar, comparando números e gráficos, é que a situação do Brasil em setembro de 2004 era menos cômoda do que é hoje”, disse.

“Se compararmos o saldo da balança, investimentos, crescimento econômico, taxa de câmbio, houve uma evolução para melhor. Tanto que o resultado foi uma queda da inflação também”, afirmou.

Negociações

O ministro disse esperar que a visita do presidente Lula contribua para destravar as negociações entre o Mercosul e a União Européia para abertura de mercados e redução dos subsídios agrícolas aos produtores europeus.

Furlan considera que o Brasil não pode aceitar a condição colocada pelos europeus de que um eventual acordo entre o Mercosul e a União Européia sirva como “adiantamento” das negociações comerciais no âmbito da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Nós não aceitamos essa idéia. Uma vez feito o acordo, ele prevalece durante sua vigência, independentemente de que a regra do jogo mude”, disse.

Para que as negociações avancem, Furlan considera necessário que haja “decisão política e ordens simples e fáceis de entender aos negociadores”. Para ele, apesar das dificuldades políticas internas enfrentadas nos dois blocos, um acordo “é do interesse recíproco, pela complementariedade das economias”.

“O próprio Brasil pode dar às empresas européias mais competitividade, por ter recursos naturais abundantes, mão de obra qualificada e barata e também por ter um razoável mercado interno, com 180 milhões de habitantes.”

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