70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 28 de fevereiro, 2006 - 08h17 GMT (05h17 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Depois do Katrina, Nova Orleans tem carnaval menor

Comemoração na cidade normalmente durava 12 dias
Quase seis meses depois que o furacão Katrina devastou a cidade, deixando 1,3 mil mortos e 3 mil desaparecidos, Nova Orleans comemorou o Mardi Gras, Terça-Feira Gorda em francês, o carnaval da cidade.

A comemoração deste ano foi bem menor e durou apenas oito dias - normalmente o calendário oficial contava 12 dias, mas as festas duravam mais de um mês -, mas representa uma vitória para os moradores que já voltaram à cidade e estão reconstruindo as casas atingidas pelo furacão.

Os desfiles começaram no fim de semana passado, mas os principais acontecem nesta terça-feira, quando dez blocos vão desfilar os carros alegóricos e fantasias pelas ruas de Nova Orleans e das cidades vizinhas.

Como o carnaval brasileiro, o de Nova Orleans marca o fim do período antes da Quaresma, onde na tradição cristã as pessoas devem jejuar e se privar dos excessos. Os dois carnavais são bastante parecidos, com carros alegórios e pessoas fantasiadas.

Os integrantes dos blocos jogam colares de contas de plástico para o público. Em lugares como a Bourbon Street, a regra é mostrar os seios ou outra parte do corpo para receber um colar.

A decisão de manter o Mardi Gras num momento em que centenas de corpos ainda estão sobre os escombros das casas e bairros inteiros estão abandonados foi cercada de polêmica.

Parte dos moradores considera a festa importante para integrar a comunidade e também para que pessoas de outras regiões do país vejam a extensão do estrago causado pela tempestade ou ainda pelos dólares que podem levar para a cidade.

O turismo era responsável por uma receita anual de US$ 5,5 bilhões, e os milhares de hotéis, bares e restaurantes empregavam dezenas de milhares de pessoas na cidade antes do furacão.

Outros dizem que o governo local está gastando recursos preciosos, num momento em que a Prefeitura está com as finanças quebradas e não tem dinheiro nem para garantir a normalização da coleta de lixo e a reabertura de todas as escolas e hospitais. A festa deste ano vai custar US$ 3 milhões, e com a ausência de grandes patrocinadores e um número menor de turistas, não se sabe se os custos serão cobertos.

Desde que o evento começou a ser comemorado na cidade em 1857, o Mardi Gras foi cancelado apenas 13 vezes, durante a guerra civil americana, a primeira e segunda guerra mundiais, a guerra da Coréia e uma greve dos policiais, em 1979.

Bairros abandonados

Dos 480 mil que viviam na cidade antes do furacão, menos da metade voltou a Nova Orleans, que teve 80% da área inundada e ainda tem bairros inteiros totalmente abandonados.

A parte da cidade que mais rapidamente voltou ao normal é o Bairro Francês, justamente a zona turística, onde fica a famosa Bourbon Street. O bairro não chegou a ser inundado e os estragos foram causados principalmente pelos fortes ventos.

Restaurantes, bares e hotéis foram reabrindo aos poucos, à medida em que o fornecimento de água e energia elétrica voltou ao normal. De acordo com o escritório de turismo, mais de mil restaurantes já voltaram a funcionar. A grande dificuldade, de acordo com os proprietários e gerentes, é conseguir funcionários, já que boa parte das residências ainda não foi recuperada.

Nos anos anteriores, o carnaval de Nova Orleans atraía mais de um milhão de pessoas. As autoridades de turismo ainda não têm dados oficiais, mas estimam que este ano a audiência deve ser reduzida a menos da metade. Ainda assim, os 27 mil quartos de hotel disponíveis estavam com ocupação total.

A brasileira Marcia Mendes, de João Pessoa, organizou neste domingo uma banda brasileira como parte de um dos desfiles. Ela juntou brasileiros que foram para a cidade trabalhar nos empregos criados na reconstrução e desfilaram junto com uma banda de brasileiros de Nova York, que além de bateria de escola de samba inclui dançarinos de samba e axé.

"Nos juntamos para representar o Brasil no Mardi Gras deste ano, que é histórico", disse Marcia.

Ela está otimista com a perspectivas de reconstrução da cidade e acha que a recuperação pode ser muito mais rápida do que o previsto. "Estou aqui há dois meses e é impressionante como tudo mudou neste período", conta.

Além de Nova Orleans, o Mardi Gras também é comemorado em outras cidades na costa dos estados de Lousiana, Mississipi e Alabama, também atingidas pelos furacões Katrina e Rita, no ano passado.

Mardi Gras
Nova Orleans celebra 1º Carnaval pós-Katrina; veja.
Carnaval europeu
Veja imagens da festa em Veneza e outras cidades.
Folião com fantasia de futebol em Dusseldorf, AlemanhaCarnaval gelado
Alemães saem às ruas em temperaturas abaixo de zero.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Congresso dos EUA critica resposta ao Katrina
13 de fevereiro, 2006 | Notícias
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade