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Seleção palestina feminina joga sem campo, mas com 'coragem' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Elas vivem sob a ocupação israelense, buscam seu espaço em uma sociedade basicamente patriarcal e não dispõem nem de um campo apropriado para treinar. Ainda assim, um grupo de mulheres decidiu representar os palestinos em um campeonato de futebol feminino de países árabes nesta semana em Abu Dabi. E, apesar de todas as dificuldades – que incluem a falta de hábito de jogar em campos de futebol de verdade –, elas vão encarar o desafio com otimismo, de acordo com a capitã da equipe, Honey Thaljieh, de 21 anos. "Acredito que, no futebol 50% seja coragem, e 50%, treinamento", diz ela. "Somos palestinas, já passamos por muitas dificuldades, e a vida nos obrigou a ter coragem. Por isso estou otimista." Desafios São muitos os desafios que as jogadoras de futebol palestinas têm de enfrentar – e isso sem considerar as outras seleções que vão estar em Abu Dabi, como as do Líbano, Arábia Saudita, Síria, Iraque e Jordânia. "Aqui na Palestina, a mentalidade dos homens é de controlar as mulheres", diz Thaljieh.
Ela conta que, por causa deste tipo de mentalidade, não foi fácil criar a seleção feminina de futebol, que nasceu em torno de estudantes da Universidade de Belém. "Quando criamos o time, há três anos, todos acharam estranha a idéia de mulheres jogarem futebol, mas, com o passar do tempo, eles foram se acostumando." O futebol feminino acabou se consolidando em Belém e incentivando o nascimento de projetos semelhantes em outras cidades palestinas, como Jericó, Ramallah e Cidade de Gaza. O atual time nacional é composto principalmente por estudantes da Universidade de Belém, mas também inclui jogadoras da Cidade de Gaza e Ramallah. Goteiras Mas isso não quer dizer que os obstáculos não continuam sendo consideráveis – como a dificuldade para transitar de um lugar para outro em territórios palestinos cujas vias de acesso continuam em grande parte sendo controladas por Israel. "Um dos problemas é que não podemos treinar juntas", disse Thaljieh, que estuda Administração de Empresas na Universidade de Belém. "As autoridades israelenses não permitem que as jogadoras de Gaza venham treinar em Belém". "Outro problema é não termos um campo de futebol normal e não termos experiência de jogar em gramados." O local onde o time treina é o espaço esportivo Terra Santa, que é bastante precário - antes de começar o treinamento, é comum que as jogadoras tenham de enxugar o piso molhado pelas goteiras. Thaljieh conta que a as jogadoras, em sua maior parte, são cristãs, mas também há algumas muçulmanas que vêm "de famílias mais abertas". A capitã do time palestino diz que usa a camisa 10 da seleção palestina para seguir o exemplo de Ronaldinho Gaúcho. "Os movimentos que ele faz são inacreditáveis." |
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