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Atualizado às: 20 de fevereiro, 2006 - 12h12 GMT (10h12 Brasília)
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Hamas negocia formação de novo governo palestino
Ismail Haniyeh
Haniyeh na primeira sessão do Conselho Legislativo palestino
O Hamas, que tornou-se o maior bloco do Parlamento palestino, iniciou conversas formais nesta segunda-feira para formar um governo de coalizão a partir do início de março, de acordo com fontes do grupo militante palestino.

O Hamas controla 74 dos 132 assentos do parlamento e poderia governar sozinho, mas está buscando uma coalizão que incluiria inclusive o partido de Abbas, o Fatah, em uma possível tentativa de conseguir aceitação internacional.

Altos oficiais do Fatah já avisaram, no entanto, que não vão participar de um governo do Hamas.

Líderes do Hamas iniciaram conversas com a Frente Popular de Libertação da Palestina, um grupo-chave envolvido nos mais de cinco anos do levante palestino.

Posse

No final da tarde, o Hamas se encontra com o presidente palestino, Mahmoud Abbas. As conversas vão estender-se à Frente de Libertação Democrática da Palestina e ao Jihad islâmico, grupo responsável por vários ataques suicidas recentes a Israel.

No domingo, o recém-indicado primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, minimizou o efeito das sanções contra a Autoridade Palestina anunciadas por Israel e do corte de ajuda de países ocidentais.

No encontro desta segunda, Abbas vai empossar o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, como primeiro-ministro.

Haniyeh vai ter cinco semanas para formar seu gabinete de governo.

Israel

No domingo, o gabinete israelese votou pela suspensão imediata da transferência de impostos de alfândega, estimados em US$ 50 milhões mensais (cerca de US$ 106 milhões).

O primeiro-ministro israelense em exercício, Ehud Olmert, disse que no que diz respeito a Israel, a Autoridade Palestina "na prática, tornou-se uma autoridade terrorista".

As sanções incluem também restrições de movimento para afiliados ao Hamas - que não podem ir da Faixa de Gaza para a Cijsordânia) e mais controle nas passagens para Israel, mas o pacote de medidas é mais brando do que o proposto pelo Ministério da Defesa israelense.

Abbas afirmou que a Autoridade Palestina encara "uma séria crise financeira".

Os Estados Unidos também pediram de volta US$ 50 milhões, em represália ao controle do governo pelo Hamas. Segundo Abbas, uma delegação americana deve visitar a região na semana que vem.

A Secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que faz uma vieagem esta semana ao Oriente Média, deve exigir que o Hamas renuncie á violência, reconheça o direito de existir de Israel e cumpra acordos feitos pela Autoridade Palestina no passado.

Abbas tem defendido a vitória do Hamas como a escolha livre dos palestinos.

Haniyeh, que prometeu trabalhar construtivamente com Abbas, apesar das diferenças políticas, disse que as sanções "têm como objetivo fazer os palestinos abaixarem a cabeça e subjugar sua vontade, subvertendo a escolha democrática".

"Temos muitas opções e alternativas, vários países árabes e islâmicos estão prontos a apoiar o povo palestino", acrescentou.

Violência

Nesta segunda-feira, soldados israelenses mataram a tiros um suposto militante palestino na cidade de Nablus, na Cisjordânia.

De acordo com fontes palestinas, o homem se chamava Hamad Abu Sharif e era o chefe do braço armado da Jihad Islâmica na cidade.

No domingo, as tropas de Israel mataram quatro palestinos.

Um ataque aéreo nas proximidades da cerca que divide a Faixa de Gaza de Israel matou dois supostos ativistas do Comitê de Resistência Popular.

Eles estariam plantando bombas perto da cerca.

No campo de refugiados de Balata, perto de Nablus, dois adolescentes foram mortos por soldados israelenses depois de atirar pedras contra os militares.

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