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Corte de ajuda radicalizaria palestinos, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A idéia de suspender a ajuda econômica a um governo palestino chefiado pelo Hamas pode deixar a situação política na região mais explosiva, de acordo com analistas israelenses. Na opinião de especialistas que discordam da posição do governo de Israel, o Hamas ficará ainda mais fortalecido se a Europa e os Estados Unidos suspenderem o apoio econômico à Autoridade Palestina. Segundo as autoridades israelenses, "a comunidade internacional não pode continuar transferindo verbas a um governo que será liderado por uma organização terrorista". Mas analistas alertam que o boicote pode despertar a raiva da população palestina contra o Ocidente e aumentar o apoio à corrente fundamentalista islâmica nos territórios ocupados. Dinheiro do Irã O economista da Universidade Hebraica de Jerusalém Efraim Kleinman afirmou, em entrevista à TV israelense, que, se houver corte na ajuda econômica, o governo do Hamas deverá pedir ajuda a países árabes e muçulmanos, particularmente o Irã. De acordo com o economista, a Arábia Saudita já contribui com cerca de US$ 100 milhões por ano à Autoridade Palestina e pode aumentar o apoio. "Já para o Irã, essa seria uma oportunidade de ampliar sua ingerência nos territórios palestinos", disse ele. Kleinman também afirmou que os bancos palestinos poderiam pedir empréstimos no mercado internacional e que "de qualquer maneira não haveria um colapso econômico imediato da Autoridade Palestina". Segundo o especialista em assuntos do mundo árabe Zvi Barel, a nova situação se configura como "um círculo vicioso". "Sem o apoio econômico dos Estados Unidos e de outros países, o Hamas vai continuar a se fortalecer, mas a esperança de uma vida melhor sob um governo democraticamente eleito vai se evaporar", disse. "Se o apoio econômico (ocidental) continuar, o novo governo palestino também vai se fortalecer e ganhar a confiança da população", afirmou Barel, em artigo publicado no jornal israelense Haaretz. Já para o historiador Meron Benvenisti, é Israel, não a comunidade internacional, que deveria financiar os gastos da Autoridade Palestina. "Se Israel cumprisse suas obrigações como força de ocupação, teria de gastar cerca de US$ 1 bilhão por ano para financiar os serviços à população palestina na Cisjordânia. Israel estabeleceu um precedente, a ocupação é totalmente financiada pela comunidade internacional", disse Benvenisti, também no Haaretz. Ajuda dos dois lados A Autoridade Palestina (AP), que administra territórios com aproximadamente 4 milhões de habitantes na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, recebe apoio econômico de cerca de US$ 1,2 bilhão por ano – US$ 600 milhões da União Européia, US$ 400 milhões dos Estados Unidos, US$ 100 milhões da Arábia Saudita e somas menores de outros países, principalmente o Japão. A ajuda internacional constitui a maior parte do orçamento anual da AP e, segundo os dados do Banco Mundial, essas verbas mal cobrem os salários dos 150 mil funcionários públicos. Não sobram recursos para desenvolvimento e investimentos em infra-estrutura. Israel, com uma população de quase 7 milhões de habitantes, é um dos principais receptores de ajuda econômica dos Estados Unidos. Nos últimos anos, o país tem recebido em média US$ 3 bilhões por ano (em ajuda econômica e militar) do governo americano. O orçamento anual de Israel é de cerca de US$ 50 bilhões. |
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