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Petroleira espanhola congela investimentos na Bolivia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da petroleira espanhola Repsol-YPF, Antonio Brufau, confirmou, nesta sexta-feira, que a empresa "congelou", temporariamente, investimentos futuros na Bolívia. Numa entrevista à rádio Diez, da capital argentina, ele afirmou que vai esperar "esclarecimentos" sobre as modificações na lei de hidrocarbonetos, que deverão ser adotadas pelo governo do presidente Evo Morales. "Estamos no compasso de espera", disse ele. O anúncio de que Morales, empossado no último domingo, vai "nacionalizar" as reservas naturais do país vem gerando incertezas nos investidores. Cautela Apesar de o ministro de Desenvolvimento Sustentável, Carlos Villegas, ter afirmado no início da semana, que as mudanças na lei aprovadas no ano passado só afetariam novos acordos, seu colega da pasta de hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada, disse, mais de uma vez, que o Estado revisará a quantidade de gás e petróleo existente no país, incluindo a que já está sendo explorada pela iniciativa privada. As declarações geraram "confusão", "dúvidas" e "temor", como afirmou um interlocutor de uma das grandes petroleiras na Bolívia, sobre "mudanças nas regras vigentes". Brufau lembrou que a empresa poderia explorar energia no país até 2040, mas hoje prefere manter o acordo que vence em 2019. "Nesse momento, preferimos nos limitar a contar com o gás e o petróleo já comprovados, sem considerar novas possíveis descobertas dos produtos", afirmou. Transparência Na véspera, o presidente da petroleira declarou, em Madrid, na Espanha, que a situação boliviana levou a empresa a rever sua quantidade de petróleo e de gás no mundo inteiro. A conclusão, como destacam nesta sexta-feira jornais bolivianos e argentinos, foi de que a Repsol-YPF tem cerca de 25% menos reservas do que o previsto mundialmente, a partir de mudanças na sua metodologia de cálculo. A empresa, explicou Brufau, passará a calcular apenas aquelas reservas que ela tem certeza de que poderão ser extraídas. A notícia surpreendeu o mercado financeiro e provocou queda nas ações da Repsol-YPF. Brufau ressaltou que a intenção é tornar "mais transparente" os dados da empresa e que assim também se está atendendo às exigências da Bolsa de Nova York, onde a empresa cotiza seus papéis. A informação gerou preocupação na Argentina, onde a petroleira é líder no ramo. "Fiquem tranqüilos. Nada mudará em relação à Argentina, onde entendemos que devemos investir mais em tecnologia, por exemplo", ressaltou na entrevista à emissora de rádio argentina. A Bolívia, a Argentina e a Venezuela são os principais destinos dos investimentos da Repsol-YPF na região. "O sensato, o racional (em relação à Bolívia) é não incluir (os campos de petróleo que poderiam ser afetados pelas mudanças na lei) nos nossos cálculos, até que tudo esteja mais claro", destacou ele já na quinta-feira, como reproduziram os jornais bolivianos desta sexta. Até o fim da manhã, o governo de Morales não tinha se manifestado sobre o assunto. |
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