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Antigos aliados serão maior desafio de Morales, diz analista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O maior desafio do presidente da Bolívia, Evo Morales, além de combater a pobreza e o analfabetismo, será administrar a “pressa” e as “exigências” dos diferentes movimentos sociais do país, especialmente de La Paz. Essa é a opinião da professora de Ciências Políticas da Universidade de San Andrés, Jimena Costa, depois de ouvir as primeiras palavras contrárias ao primeiro presidente indígena do país. “Poucas horas depois da posse, o líder sindical Alejo Veliz, que, no passado, foi aliado de Evo Morales, já dizia às emissoras de rádio que o presidente vai ter um prazo de cem dias para atender a algumas das reivindicações populares ou os manifestantes vão bloquear o trânsito no país inteiro”, contou ela. “Essa intransigência de alguns setores será um dos maiores desafios de Evo para manter a governabilidade”, afirmou. Na sua opinião, nesse momento, opositores explícitos, como o Comitê Pró-Santa Cruz de la Sierra, avesso à sua eleição, não merecem a mesma preocupação que os movimentos sociais mais radicais. “Evo vai ter que ter jogo de cintura para administrar essa ansiedade e até mesmo a ânsia de aparecer de alguns setores”, disse. “O inimigo interno, aquele que até outro dia estava ao lado de Evo, nos protestos sociais, pode ser muito mais perigoso do que símbolos da oposição como o Comitê Pró-Santa Cruz”, destacou. Ministério Na tentativa de equilibrar o perfil de seu ministério e de evitar protestos contra seu governo, o presidente nomeou o ex-presidente da Federação das Associações de Moradores do Alto, Abel Mamani, para o Ministério de águas. Quando as manifestações começaram, elas eram por uma nova lei de hidrocarbonetos, que foi conquistada, mas as discussões e impasses acabaram levando à crise política e institucional. “A nomeação de Mamani faz parte, no meu entendimento, de uma cota de poder dos setores sociais”, disse Jimena. Com 74% de apoio popular, depois de sua turnê por quatro continentes, como presidente eleito, segundo o instituto de opinião Apoio, Opinião e Mercado, Evo Morales reiterou, nos quatro discursos já realizados, que a “união” dos bolivianos é “fundamental” para o país “avançar”. As palavras do presidente foram elogiadas nos editoriais dos principais jornais do país e por comentaristas de rádio e de televisão, que destacaram o “otimismo que toma conta do país”. Mas analistas observam que a fragmentação boliviana não está somente na Bolívia Oriental e na Ocidental, como são divididos os nove departamentos (estados), e tampouco na cor da pele dos indígenas, mestiços e brancos, mas também nos movimentos sociais. Os mesmos que foram decisivos para a eleição de Evo Morales no primeiro turno das eleições com o índice inédito de 54% dos votos. “Tem muita gente que pensa que a felicidade e o paraíso estão ali na esquina e isso (atender a essa expectativa) não será fácil”, disse o antropólogo Xavier Albó ao jornal La Razón. “O presidente tem nosso apoio total, mas nós vamos atuar de fiscais para saber se cumpre suas promessas”, afirmou Genaro Flores Velasco, da Federação Departamental Única dos Trabalhadores rurais de La Paz. O secretário-executivo da COB (Central Operária Boliviana), Jaime Solares, criticou o discurso de posse de Evo Morales. “Foi pobre e ambíguo e ele fez muitas referências históricas”, afirmou ao jornal La Prensa. Ele acrescentou que Morales deve “explicar” que tipo de economia aplicará no país. Com as comemorações indígenas, especialmente em La Paz e Sucre, pela posse do presidente, essas ressalvas e críticas ainda aparecem dispersas no meio de declarações de apoio à sua gestão. Os empresários de diferentes setores, como os que estiveram na posse dos novos ministros, reconhecem a “legitimidade inédita” de um presidente, graças ao grande volume de votos que recebeu. Mas eles insistem que não pode faltar “segurança jurídica” para se investir no país. |
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