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Oposição na Bolívia pede governo de inclusão a Morales

Presidente boliviano toma posse neste domingo
O presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz de la Sierra, German Antelo
Vaca, espera que o presidente eleito, Evo Morales, governe “para todos os
bolivianos” e forme uma administração com as “diferentes caras do país”.

Ou seja, um governo para a comunidade indígena, que está concentrada, principalmente em La Paz, entre outros lugares do Altiplano (planalto), onde Evo Morales possui a maioria de seguidores, mas igualmente para os brancos e mestiços dos outros estados (departamentos), como Santa Cruz.

O Comitê Cívico reúne 250 entidades e existe há cerca de 50 anos. Mas ficou famoso ao pedir a autonomia de Santa Cruz do poder central, e ao rejeitar, também no ano passado, os protestos dos grupos indígenas e dos mineiros, em La Paz e outros departamentos do Altiplano.

Os protestos e crise institucional, que começara em 2002, levaram à renúncia do presidente Carlos Mesa e à posse do presidente interino Eduardo Rodríguez, que nesse domingo entrega o poder a Evo Morales.

La Paz

Santa Cruz, o departamento mais próspero do país - que detem boa parte do petróleo e do gás- e La Paz, onde está a maioria da população indígena, são dois exemplos marcantes das diferenças culturais, de estilo e do que se deseja para a Bolívia em cada um dos nove departamentos do país.

Santa Cruz defende os investimentos privados e La Paz simpatiza com a estatização.

Mas a eleição, no primeiro turno, do índio aimará Evo Morales, em dezembro último, com 54% dos votos, incluindo eleitores de Santa Cruz, parece ter dado uma trégua numa disputa histórica, entre o Altiplano, formado por cinco departamentos e onde se concentra a produção de folhas de coca no país, e a chamada Bolívia Oriental, composta pelos quatro restantes.

Segundo analistas, o resultado eleitoral deu “ampla legitimidade” a Evo para governar o país, tradicionalmente fragmentado.

O Comitê, que inclui empresários e operários de Santa Cruz, promete, porém, estar alerta às medidas que serão adotadas pelo próximo presidente.

“Queremos que o país seja conduzido de forma democrática dando voz a cada cidadão”, disse o médico neurocirurgião German Antelo Vaca, em seu gabinete na sede do Comitê.

“Queremos também que a eleição do senhor Evo Morales represente mais empregos e segurança para as empresas de capital privado que querem investir no país. É disso que a Bolívia precisa”.

Para ele há “esperanças” de que o presidente eleito, que toma posse neste domingo, “controle” os “setores mais radicais” do MAS (Movimento ao Socialismo).

O MAS é o partido de Evo e conta com maioria na Câmara dos Deputados, mas não no Senado, onde, no entanto, graças a um acordo com outros partidos, conquistou, esta semana, a presidência da casa.

Em La Paz, muitos defendem a estatização da exploração dos hidrocarbonetos (petróleo e gás), diferente do que opina Santa Cruz.

Mas essa discussão, estopim da instabilidade política e social do ano passado, também vive uma trégua desde a criação da lei de hidrocarbonetos, há cerca de dois meses.

Essa lei e discussão interessam, entre outros, à Petrobras, dona dos maiores investimentos no país.

Autonomia

A partir da posse de Evo Morales, as atenções também estarão voltadas para o referendo que será realizado em julho sobre o pedido de autonomia de Santa Cruz e outros departamentos.

A autonomia foi a principal bandeira do Comitê Cívico que depois de muitas discussões e de realizar uma manifestação popular, em janeiro passado, conquistou a primeira eleição direta para governadores, que ocorreu junto com a eleição de Evo Morales.

Foi a primeira vez em 180 anos de vida republicana que os bolivianos elegeram governadores pelo voto direto. A partir de agora, espera Antelo Vaca, o presidente passará a ouvir mais as opiniões dos governadores. E se a autonomia, como deseja o Comitê Cívico, for aprovada, cada estado passará, no mínimo, a administrar seus próprios recursos.

O que para os opositores da idéia é visto como um discurso separatista, mas que para seus defensores é a forma de distribuir igualmente as riquezas de cada área, dentro da mesma Bolívia.

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