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Perguntas e respostas: Entenda a vitória do Hamas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O movimento de resistência Hamas parece ter conquistado uma surpreendente vitória nas eleições parlamentares palestinas. Entenda alguns dos aspectos mais relevantes deste resultado. Por que uma vitória do Hamas seria uma surpresa tão grande? Quase ninguém havia previsto que o Hamas conseguiria uma maioria clara no Parlamento Palestino. Mesmo as pesquisas de boca-de-urna sugeriam que o Fatah, partido dominante da cena política palestina desde os anos 1960, estaria na frente em pontos percentuais. A maioria dos observadores havia previsto um parlamento dividido, com os dois lados sendo obrigados a trabalhar em um governo de coalizão. No entanto, os sinais de uma insatisfação popular profunda com o Fatah têm sido visíveis por anos. O partido tem sido acusado de corrupto, ineficiente e incompetente em relação a um acordo com Israel. Levando em conta esses fatores, a vitória não seria uma surpresa tão grande assim. Quais são as implicações de um governo do Hamas para os palestinos? Muitos palestinos teriam votado no Hamas por causa da imagem de disciplina e integridade do partido, além de uma ideologia claramente anti-Israel. Ainda é cedo para dizer como essas características vão se manifestar em um governo palestino liderado pelo Hamas. A percepção do grupo pode ser alterada quando ele se deparar com as realidades de uma administração sob as duras circunstâncias da ocupação israelense e tensões do lado palestino. Alguns palestinos argumentam que a participação do Hamas significa uma aceitação de Israel e de um acordo de paz envolvendo dois Estados, embora o Hamas negue isso. A ideologia do movimento deve passar por um duro teste, da mesma forma que passou o Fatah quando Yasser Arafat estabeleceu a Autoridade Palestina, na década de 1990. Muito vai depender do Hamas formar mesmo, como diz que deseja, uma coalizão com o Fatah, coisa que pode abrandar algumas de suas posições mais radicais. Quais as implicações para Israel e para a Comunidade Internacional? Israel diz que não negocia com os palestinos a menos que os grupos militantes sejam desarmados. Agora, o maior grupo militante armado parece ter assumido o controle tanto da esfera política como da "resistência". É provável que tenha prosseguimento a política unilateral criada por Ariel Sharon em Gaza e apoiada pelo premiê israelense em atividade, Ehud Olmert. Ela prevê a saída dos territórios ocupados na Cisjordânia e um confinamento de Israel às fronteiras a serem desenhadas pelo próprio país tendo em vistas as necessidades militares. Isso se o partido Kadima vencer as eleições marcadas para 28 e março. A vitória do Hamas pode, entretanto, favorecer os argumentos do direitista Likud de que Israel deveria ter se oposto a participação do Hamas nas eleições. Os EUA e a comunidade internacional também devem exigir garantias do Hamas antes de negociarem com o partido. O Hamas mantém no momento um cessar-fogo, mas permanece comprometido com a luta armada, ataque a civis israelenses e a destruição de Israel. Não se sabe o que deve acontecer com o generoso orçamento internacional que a Autoridade Palestina recebe em sua maior parte da União Européia que considera o Hamas uma instituição terrorista. Quem deve se tornar o premiê do Hamas? É irônico que a posição de primeiro-ministro palestino tenha sido criada em 2003 por pressão dos Estados Unidos para diminuir o poder do presidente Arafat. Até agora, o cargo teve pouca importância. Isso deve mudar bastante com um primeiro-ministro do Hamas democraticamente eleito. O Hamas é governado por um sistema complexo, arquitetado como uma resposta à política israelense de assassinar seus líderes em anos recentes. Alguns de seus líderes vivem exilados na Síria e no Líbano. Um dos favoritos é o líder politico de Gaza, Ismail Haniya, considerado um moderado. Outra possibilidade é Mahmoud Zahar, também de Gaza. Um dos fundadores do Hamas, ele é considerado mais radical do que Haniya, mas acredita-se que ele tenha sido um dos responsáveis pela participação do grupo nas eleições. |
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