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Derrame de Sharon abala e emociona israelenses | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Há seis dias a mídia de Israel se concentra dia e noite no estado de saúde do primeiro-ministro Ariel Sharon e, bombardeada pelas informações, a população do país se mostra abalada e emocionada. O serviço telefônico de assistência psicológica nacional, chamado Eran, informou que houve um aumento significativo no número de chamadas, desde que Sharon foi hospitalizado após o derrame na quarta-feira da semana passada. De acordo com psicólogos do Eran, a doença do primeiro-ministro causa um clima de incerteza que agrava o estado de pacientes que sofrem de distúrbios emocionais. Os departamentos neurológicos dos hospitais também registraram uma alta dos pedidos de tomografias computadorizadas. Um número maior de pessoas tem manifestado receio de terem sofrido derrames cerebrais. Grande assunto Desde que Sharon foi para o hospital, todos os canais de rádio e televisão dedicam a maior parte dos seus programas a acompanhar os desdobramentos no sétimo andar do hospital Hadassa de Jerusalém, onde o premiê permanece internado. Porém, para o diretor do Hadassa, Professor Shlomo Mor-Yossef, "o ritmo da recuperação neurológica não é tão rápido quanto o ritmo da mídia moderna". A mídia precisa preencher horas e horas de programas, mas as informações do hospital são escassas, e o tempo é dedicado a entrevistas com médicos que analisam a situação de Sharon, políticos que falam da "nova realidade sem Sharon" e cidadãos comuns que expressam os seus sentimentos "nesse momento difícil que todos estão vivendo". Nas ruas de Israel, é o grande assunto. "Será que ele vai conseguir sair dessa?", as pessoas se perguntam. 'Forte' Muitos dizem que têm certeza de que o premiê vai se recuperar, "pois é muito forte". O poeta Haim Guri chegou a dizer que pode ver Sharon saindo do hospital, conduzido em uma cadeira de rodas por uma "bela enfermeira", e de repente o primeiro-ministro manda a enfermeira parar, se levanta da cadeira e diz a ela: "Pode sentar, eu te levo". O estado de fraqueza do "líder forte" e mais popular em Israel, provoca uma avalanche de reações emocionais. Inúmeras mensagens de afeto, dos tipos mais variados, são enviadas ao primeiro-ministro que continua inconsciente no hospital. Desde cartas, passando por flores, até os pratos que ele mais gosta, como carne de ovelha e cuscus. O apresentador de rádio mais famoso do país, Gabi Gazit, iniciou o seu programa na rádio estatal Kol Israel (Voz de Israel), com um dos concertos de Beethoven para violino preferidos de Sharon. "Acorda, Arik", disse Gazit, usando o apelido de Ariel Sharon, com o fundo musical de Beethoven. De acordo com o especialista em mídia Professor Gabi Weiman, "na sociedade moderna, a mídia preenche a função da 'fogueira da tribo'. Em momentos de crise, a tribo se reúne em volta da fogueira para ouvir as últimas notícias, compartilhar as preocupações e buscar comforto". Porém, depois de passar seis dias se concentrando em Sharon de maneira obsessiva, a mídia já começa a fazer uma auto-crítica. De acordo com o editorial do jornal Haaretz, está havendo um certo exagero na cobertura. "Enquanto Ariel Sharon luta para se recuperar, o público deve lhe devolver a sua privacidade... tanto a mídia como o público devem diminuir as doses dessa invasão contínua." |
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