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Atualizado às: 18 de dezembro, 2005 - 08h48 GMT (06h48 Brasília)
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Brasil apóia Bolívia 'estável' e cogita negociar refinarias

Marco Aurélio Garcia
Assessor de Lula diz que Brasil quer ajudar vizinho
O assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou neste fim de semana que uma Bolívia “estável” é “fundamental” para a América do Sul, e que o Brasil está disposto a cooperar com o novo governo boliviano.

Garcia chegou no sábado a La Paz para acompanhar as eleições deste domingo como representante do Brasil na missão de observadores enviada pelo Mercosul à Bolívia.

Durante a campanha eleitoral boliviana, o candidato a presidente Evo Morales disse que, se eleito, pretende retomar para a Bolívia o controle de duas refinarias do país que atualmente são administradas pela Petrobras.

A declaração de Morales não incomodou o governo brasileiro, que estaria disposto a negociar algum tipo de associação com a Bolívia para compartilhar o controle das refinarias.

“O governo brasileiro não pode negociar com um candidato. O governo brasileiro negociará com o governo boliviano que venha a se estabelecer”, disse Garcia. “A Petrobras não terá nenhum problema de se associar a uma empresa estatal.”

Refinarias

A Petrobras controla 98% da capacidade de refino da Bolívia por meio das duas refinarias, localizadas nas cidades de Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra.

As duas refinarias, que processam em média 40 mil barris de petróleo e líquido de gás natural por dia, foram compradas pela empresa brasileira em 1999 por pouco mais de US$ 100 milhões – hoje, o valor das refinarias é estimado em US$ 150 milhões.

O negócio foi realizado na época em que a Bolívia começou a receber investimentos estrangeiros para exploração de gás e petróleo.

As refinarias eram deficitárias e a hipótese de leiloá-las foi descartada graças à falta de interesse demonstrada pelo mercado. Brasil e Bolívia chegaram então a um acordo para que a Petrobras comprasse as refinarias.

Há alguns meses, com uma mudança na legislação boliviana que determinou que a estatal YPFB volte a atuar no mercado de exploração de gás e petróleo, ganhou força na Bolívia a idéia de que o país deve voltar a controlar as refinarias.

O principal objetivo seria combater o problema de abastecimento interno que a Bolívia enfrenta. Com os preços dos combustíveis subsidiados no país, os produtores têm dificuldade em atender a demanda interna sem registrar prejuízos.

Gás boliviano

O Brasil é também um dos maiores compradores do gás boliviano. Por meio de um gasoduto que liga os dois países, a Petrobras exporta ao Brasil cerca de 24 milhões de metros cúbicos por dia.

O gás natural cria uma espécie de “dependência mútua” entre os dois países. O Brasil precisa do gás boliviano para suprir sua demanda energética e a Bolívia precisa dos recursos brasileiros para manter-se economicamente.

O governo brasileiro, no entanto, tem procurado outras alternativas para garantir o seu abastecimento, incluindo os planos de construção de um novo gasoduto para exportar gás natural da Venezuela.

“Nós não somos reféns do gás boliviano, mas isso não quer dizer, de maneira nenhuma, que nós vamos abrir mão do gás boliviano, até porque nós fizemos um brutal investimento aqui”, afirma Marco Aurélio Garcia.

Os planos de novos investimentos brasileiros na Bolívia estão, no entanto, em compasso de espera. Novos negócios só receberão o sinal verde se as eleições bolivianas forem capazes de acabar com a instabilidade política e institucional que o país tem vivido nos últimos meses.

Se isso acontecer, a Petrobras estuda a possibilidade de aumentar a capacidade do gasoduto Brasil-Bolívia. Além disso, a empresa Braskem tem planos de construir um pólo petroquímico em Puerto Suárez, na região da fronteira, que representaria um investimento de US$ 1,4 bilhão.

Apoio político

Além da missão do Mercosul, a Bolívia recebeu para as eleições cerca de 200 observadores internacionais, incluindo 166 monitores de 24 países da OEA (Organização dos Estados Americanos).

De acordo com Marco Aurélio Garcia, o processo eleitoral não preocupa os enviados do Mercosul. O objetivo do bloco, segundo o assessor de Lula, é oferecer “respaldo e apoio político” à democracia boliviana.

“Esse apoio tem que se traduzir evidentemente em medidas de natureza política, mas também em um aceno sobre uma cooperação econômica no futuro”, diz Garcia.

Apesar dos comentários positivos que Lula fez nas últimas semanas sobre a possível eleição de Evo Morales, o assessor do presidente diz que o Brasil espera manter uma boa relação com a Bolívia seja quem for o vencedor das eleições deste domingo.

“A comunidade sul-americana se deu conta de que é fundamental ter uma Bolívia próspera e estável”, afirma Garcia. “Se ganhar o Tuto (o candidato a presidente Jorge ‘Tuto’ Quiroga), tudo bem. Se ganhar o Evo, tudo bem.”

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