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Eleição na Bolívia pode não significar era de estabilidade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As eleições de domingo na Bolívia foram convocadas pelo presidente Eduardo Rodriguez em uma tentativa de tirar o país da instabilidade política profunda que viu os dois presidentes anteriores retirados do poder devido a protestos populares. Mas a votação vai fazer alguma diferença? Participantes de uma importante conferência na Bolívia, organizada pelo Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos de Washington, alertaram que as eleições provavelmente não trariam uma nova era de estabilidade. Os participantes destacaram as crescentes tensões étnicas e regionais no país, o desaparecimento dos partidos tradicionais e o rápido declínio na autoridade do Estado como uma receita para mais governos de vida curta. "A era de governo com uma grande coalizão, colocada em prática em 1985, chegou ao fim", afirmou Peter DeShazo, o diretor do programa para as Américas da organização. "O consenso político está em falta e a democracia representativa está sob uma grande pressão", acrescentou. Parte da causa para o pessimismo se deve ao fato de que nenhum dos candidatos deve conseguir mais do que um terço dos votos no domingo. Se ninguém obtém 50% dos votos, a decisão final será do Congresso, em janeiro de 2006. Não haverá um segundo turno das eleições, como acontece na maioria dos países da América Latina. Problemas Os dois favoritos nas eleições têm visões bem diferentes a respeito do futuro da Bolívia, e os dois vão descobrir que é difícil alcançar qualquer tipo de consenso ou unidade nacional. Liderando as pesquisas por uma pequena margem está Evo Morales do Movimento ao Socialismo (MAS), representante da população indígena Aymara de esquerda que quer legalizar Morales quer introduzir uma espécie de controle do governo para as reservas de petróleo e gás do país, que são as segundas maioras da América do Sul. Seu principal adversário é Jorge "Tuto" Quiroga da aliança de centro-direita. Ele defende uma visão para o futuro mais capitalista e tende a representar os interesses de setores mais ricos, particularmente no leste do país. Um dos candidatos pode vencer por uma margem grande o bastante no primeiro turno para governar com um pouco de legitimidade. Mas, mesmo assim, enormes problemas iriam continuar. Protestos Evo Morales não deve conseguir a maioria para apoiá-lo no Congresso, e terá uma oposição violenta, particularmente das regiões ricas em gás, Santa Cruz e Tarija. Houve um grande crescimento, nos últimos anos, na comunidade em sua maioria pobre, urbana e radical dos grupos indígenas Quechua e Aymara, exigindo uma participação política maior e a mudança dos recursos para beneficiar este grupos. Se Morales não for capaz de aprovar suas principais exigências entre elas, a nacionalização do setor de gás e petróleo - que muitos deles compreendem significar "tomar o controle de companhias estrangeiras" - mesmo ele poderá enfrentar protestos que se provaram eficazes em derrubar governos no passado. Tuto Quiroga também pode enfrentar os mesmos tipos de protestos, mas em um estágio mais inicial de seu governo. "Eu vejo mais governos transitórios, mais intranqüilidade social e política, e nenhum novo investimento no país", disse Juan Cariaga, um ex-ministro das Finanças. "Vão ocorrer mais confrontos a respeito de uma nova assembléia, autonomia regional, industrialização do gás, erradicação da coca e tomada de terras", acrescentou. Aprovação americana Outro fator que complica a situação seria a desaprovação do governo americano a Evo Morales, que é um amigo próximo e aliado do presidente venezuelano Hugo Chávez, o atual adversário do presidente americano George W. Bush na região. Washington espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, que tem investimentos enormes no setor de gás da Bolívia, seria uma influência para conter Morales. Mas, nem todo observador é pessimista. "Bolivianos sempre falam que tudo está desmoronando, e nunca realmente desmorona", disse Herbert Klein, professor de história na Universidade de Columbia. "A elite...no final das contas negocia em termos amplos. Há conflito constante e negociação constante. Como historiador, sou mais positivo a respeito de como tudo pode acabar", disse. |
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