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Santa Cruz prevê fim de 'governo hegemônico' na Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os grupos que defendem a autonomia da província de Santa Cruz esperam que as eleições do próximo domingo marquem o início de uma nova era na Bolívia. Mas o motivo não é a disputa pela presidência do país e sim a oportunidade de escolher o governador da região. Pela primeira vez nos 180 anos de vida republicana da Bolívia, os governadores das nove províncias que formam o país serão eleitos pelo voto direto. "A forma de administrar este país será diferente. Não será um governo hegemônico", afirma Germán Antelo Vaca, presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz. "O novo governo central vai ter que sentar-se não só com o Parlamento, mas também com as regiões." Até hoje, os governadores eram indicados pelo presidente. A mudança nas eleições do próximo domingo é o resultado da pressão dos grupos que defendem a autonomia das províncias. Mobilização Santa Cruz possui o mais articulado e poderoso movimento por autonomia da Bolívia. No início deste ano, a maior parte do país estava preocupada com a instabilidade política e a mudança na lei que definia os impostos pagos por empresas estrangeiras pela exploração de gás e petróleo na Bolívia. Em Santa Cruz, no entanto, a mobilização era para exigir a realização de um referendo para conceder mais autonomia à província. Pressionados, o governo e o Congresso boliviano não só concordaram em realizar o referendo, previsto para ocorrer em julho de 2006, como também decidiram incluir o voto direto para governadores de província nas eleições gerais deste domingo. Essas vitórias, no entanto, não foram suficientes para diminuir o ímpeto dos grupos que defendem a autonomia de Santa Cruz. Os crucenhos insistem que não vão desistir de pressionar as instituições públicas do país enquanto a província não tiver maiores poderes para administrar a região. "Propomos uma administração descentralizada polícia, financeira e administrativamente que permita uma melhor distribuição e controle dos recursos e evitar tanta ineficiência e corrupção", afirma Antelo Vaca. "O país já deu mostras de que a administração centralizada tem sido ineficiente", acrescenta o presidente do Comitê Pró-Santa Cruz. "Essa administração centralizada gerou pobreza, miséria, discriminação e falta de desenvolvimento." Pobreza A Bolívia é um dos países mais pobres da América do Sul, apesar de contar com importantes recursos naturais. Nos últimos anos, a incidência da pobreza no país caiu de 70% para cerca de 58% da população. No entanto, na área rural boliviana, principalmente na região do altiplano, a pobreza ainda supera 80%. A situação das regiões mais pobres contrasta com a prosperidade da província de Santa Cruz, principal centro econômico da Bolívia, que concentra a produção agrícola do país e é rica em hidrocarbonetos e minérios. As diferenças no país fazem com que críticos da tese de autonomia para as províncias considerem a articulação dos grupos crucenhos uma espécie de movimento separatista e até racista, já que a maior parte da elite em Santa Cruz é formada por brancos. "Essa é uma falsa imagem que deram ao movimento em Santa Cruz", protesta Antelo Vaca. "É uma tergiversação mal-intencionada do que propõe Santa Cruz." "Se existe pobreza, se existe indigência, se houve exploração nas minas no altiplano, a responsabilidade é do governo central", acrescenta o líder crucenho. "Não tivemos nada a ver com essa má administração do país." Quase 60% da população boliviana é formada por grupos indígenas (os principais são os aimará e os quíchuas), cerca de 25% são mestiços e 15% são brancos. Eleições Oficialmente, o Comitê Cívico Pró-Santa Cruz não tem nenhum envolvimento eleitoral. Grupos ligados à defesa da autonomia da província, no entanto, formaram uma coligação regional e lançaram um candidato a governador. Rúben Costas, ex-presidente do comitê, é o candidato e, de acordo com as pesquisas, deve ganhar a disputa na província com ampla vantagem. Já na disputa pela Presidência, os líderes crucenhos dizem que não têm candidato, mas manifestam simpatia pelo ex-presidente Jorge ‘Tuto’ Quiroga. As pesquisas indicam que Quiroga está atrás do líder cocaleiro Evo Morales, de origem indígena. Em Santa Cruz, no entanto, é o ex-presidente quem está na frente. Nas outras oito províncias bolivianas, Morales lidera em três, incluindo La Paz e Cochabamba. Nas outras cinco, Tuto Quiroga é o primeiro colocado. As províncias de Santa Cruz, La Paz e Cochabamba possuem, juntas, mais de 70% dos 3,6 milhões de eleitores aptos para votar no domingo. Analistas afirmam que são grandes as chances de que Morales vença a disputa pela Presidência, mas seu partido, o MAS (Movimento ao Socialismo), não consiga eleger nenhum governador. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Para EUA, Bolívia é teste do populismo na América Latina13 dezembro, 2005 | BBC Report Eleição de Morales na Bolívia seria 'extraordinária', diz Lula30 novembro, 2005 | BBC Report Bolívia terá eleições com novas regras em 18/1202 novembro, 2005 | BBC Report Entenda a crise na Bolívia07 de junho, 2005 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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