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Bolívia coloca 'democracia em jogo' com eleições | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cerca de 3,6 milhões de eleitores vão às urnas na Bolívia neste domingo para votar nos candidatos a presidente, deputado, senador e governador nas eleições gerais que têm o desafio de acabar com a instabilidade política que o país atravessa. Na véspera da votação, o presidente boliviano, Eduardo Rodríguez, que assumiu o cargo em junho, depois da queda de Carlos Mesa, afirmou que as eleições deste domingo colocam em jogo a democracia boliviana. “O que está em jogo, primeiro, é o sistema democrático”, disse o presidente. “Colocaremos o sistema democrático à prova, mas a prova maior serão seus resultados e a capacidade que tenham os eleitos e os não-eleitos de compartilhar os triunfos e derrotas em convivência harmoniosa.” A possibilidade de que um dos candidatos a presidente vença a disputa nas urnas, mas acabe derrotado no Congresso, preocupa os bolivianos. A legislação do país determina que, se nenhum dos oito candidatos conseguir 50% e mais um dos votos válidos, o Congresso é quem vai escolher o presidente entre os dois mais votados. Pesquisas O líder cocaleiro Evo Morales aparece em primeiro lugar nas pesquisas. Em uma delas, com 34,2% das intenções de voto. Na outra, com 36%. Seu principal adversário é o ex-presidente Jorge 'Tuto' Quiroga, que aparece com 29,2% e 28%. O temor entre os bolivianos é que uma possível derrota de Morales no Congresso, depois de uma vitória nas urnas no domingo, provoque mobilizações populares como as que derrubaram dois presidentes da Bolívia em pouco mais de dois anos. Se a escolha do novo presidente ficar para o Congresso, a decisão será tomada em janeiro pelos 130 deputados e 27 senadores que serão eleitos no domingo. As projeções dos institutos de pesquisa indicam que o partido Podemos (Poder Democrático e Social, do candidato Jorge ‘Tuto’ Quiroga) deve conquistar a maioria no Senado, com 14 ou 15 das 27 vagas. Os senadores, três por província, são eleitos a partir da votação dos candidatos a presidente. O partido do candidato que vencer a disputa em cada província elege dois senadores – o que ficar em segundo tem direito a terceira vaga no Senado. Apesar de aparecer em segundo nas pesquisas, Quiroga lidera a disputa em seis das nove províncias. Morales é o primeiro nas outras três, incluindo La Paz e Cochabamba – dois dos maiores colégios eleitorais do país. O formato da eleição para as vagas no Congresso impede que sejam feitas projeções sobre como ficará a divisão de forças entre os deputados. As 130 vagas são divididas proporcionalmente de acordo com o número de eleitores de cada província. Metade dos deputados também são eleitos a partir da votação dos candidatos a presidente. A outra metade é definida por voto direto. Se a definição do novo presidente sair no Congresso, um fator decisivo pode ser o apoio do partido Unidade Nacional (UN), do candidato a presidente Samuel Doria Medina, que ocupa o terceiro lugar nas pesquisas. Há alguns dias, Doria Medina disse que, se o candidato que chegar na frente tiver uma vantagem de cinco pontos percentuais ou mais sobre o segundo colocado, o Congresso deve respeitar a opinião dos eleitores e escolher como presidente o vencedor da votação de domingo. Observadores Em uma tentativa para evitar possíveis transtornos durante as eleições deste domingo, as autoridades bolivianas reforçaram a segurança nas ruas do país. Cerca de 50 mil policiais e militares foram mobilizados para garantir que a votação seja realizada sem incidentes. Desde a meia-noite de quinta-feira, manifestações, greves e propagandas políticas estão proibidas no país. O consumo e a venda de bebidas alcoólicas também foram proibidos até segunda-feira. As eleições bolivianas também contam com o maior número de observadores internacionais já registrado no país. Apenas a OEA (Organização dos Estados Americanos) enviou 166 observadores de 24 países para acompanhar as eleições na Bolívia. Representantes da ONU, da Comunidade Andina de Nações, do Mercosul e de outros organismos internacionais também chegaram ao país para monitorar a votação deste domingo. A votação deve começar às 8h deste domingo (hora local, 10h em Brasília) e se estender até as 16h (18h em Brasília). |
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