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Atualizado às: 17 de dezembro, 2005 - 11h27 GMT (09h27 Brasília)
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G20 vê 'pequeno avanço' em rascunho de texto final

Blocos não chegam a acordo sobre fim dos subsídios a agricultura
Blocos não chegam a acordo sobre fim dos subsídios a agricultura
O G20, grupo coordenado pelo Brasil e pela Índia, considerou que houve um “pequeno progresso” no rascunho da declaração que encerrará a Sexta Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), neste domingo, em Hong Kong, apesar de as negociações em torno de pontos polêmicos - como os subsídios à agricultura - não darem sinais de avanço.

“A expectativa já era baixa para a reunião em Hong Kong, mas tenho que registrar que houve pequenos progressos. Foi algo modesto, mas pelo menos é um movimento”, comentou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em uma coletiva de imprensa com os membros do G20.

O ministro da Índia, Kamal Nath, disse que houve “um passo à frente” embora ainda existam alguns pontos entre parênteses.

Aí entra uma questão técnica nos textos da OMC: tudo o que está entre parênteses ou onde em vez de números há um "X" ainda não foi 100% concordado pelos países-membros.

É o que acontece no caso da fixação de uma data para eliminação dos subsídios à exportação.

Existem duas opções no texto: eliminar os subsídios em 2010 ou X anos após a implementação do acordo da Rodada Doha.

O G20 defende a data como 2010 e pedia para que houvesse uma decisão sobre o “X”. Neste sábado, o X virou 5 anos, ou seja, se a Rodada Doha for concluída e implementada em 2006, os subsídios à exportação terão que desaparecer em cinco anos.

Frustrado

Mas o avanço “modesto” na agricultura não foi suficiente para deixar os ministros do G20 otimistas.

“Estamos preocupados com a parte de acesso a mercado (tarifas) em que ainda não há progressos”, disse o ministro do Zimbábue, Samson Mutanhaurwa.

O texto, redigido pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, compila os resultados das negociações durante a reunião de cúpula da instituição, que começou na terça-feira.

Em uma análise preliminar, Amorim considerou que a declaração “está mais equilibrada do que parecia que ia ser”.

Na avaliação do chanceler brasileiro, nas questões defensivas ao país – Nama (bens industriais) e serviços – “houve muita cautela”.

Os ministros vão analisar o texto em reuniões bilateriais ou multilaterais durante o dia e, à noite, se encontrarão mais uma vez para discutir a versão final do texto.

Divergências

O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, disse que chegou o momento “em que muitos se preocupam em salvar a reunião” e pediu que os ministros façam “tudo que eles podem” para salvá-la.

“Na minha avaliação, nós ainda enfrentamos problemas significativos com a baixa ambição, a falta de equilíbrio e o conteúdo do rascunho da declaração”, disse em um comunicado.

“Em agricultura, serviços e Nama, o rascunho cria problemas para a Comunidade Européia e teremos que fazer mudanças para ter um texto.”

Mesmo com o fracasso das negociações, foram aprovadas algumas concessões aos produtores de algodão do oeste da África.

Os países ricos comprometeram-se a acabar com subsídios à exportação para o algodão até 2006.

Mas na questão do subsídio doméstico não há sinais de acordo.

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