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'Inteligência pré-Iraque me decepcionou', diz Powell | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-secretário de Estado americano Colin Powell afirmou estar profundamente decepcionado com as informações que obteve dos serviços de inteligência sobre o que iria ocorrer depois da invasão do Iraque, em 2003. Em uma entrevista exclusiva à BBC, Powell disse que o que mais o deixou "chateado" foi o fato de que algumas dúvidas sobre a precisão das informações obtidas pelos serviços de inteligência nunca foram reportadas a ele ou a seus principais assessores. O ex-secretário afirmou ainda que o Departamento de Estado tinha traçado um plano detalhado para o Iraque pós-guerra. Mas, segundo ele, o projeto foi descartado pelo Departamento de Defesa, do secretário Donald Rumsfeld, "que sempre contava com o apoio da Casa Branca". "Rumsfeld e eu tivemos algumas discussões sérias sobre o uso de especialistas que poderiam ajudar no assunto", disse Powell. "Mas, no fim, a questão foi para a Casa Branca, e o resto da história é conhecido." 'Relação fria' Colin Powell descreveu sua relação com Rumsfeld - e também com o vice-presidente Dick Cheney, como "fria". "Ocasionalmente, o secretário Rumsfeld, o vice-presidente Cheney e eu tínhamos pontos-de-vista muito diferentes sobre alguns assuntos", disse Powell. "E quando tínhamos que tomar uma decisão, discutíamos de uma maneira burocrática." "Geralmente, Rumsfeld ou Cheney levavam decisões para o presidente (George W. Bush) sem que nós soubéssemos. E isso ocorreu várias vezes." O ex-secretário afirmou ainda que não acredita que os Estados Unidos consigam manter o número de tropas atualmente no Iraque por um período de tempo mais extenso. Mas ele disse achar necessária a presença significativa de militares americanos no país pelos próximos anos. Europa Colin Powell afirmou ainda que os europeus estão sendo "falsos" ao negar que soubessem de prisões secretas mantidas pela CIA no continente, conforme noticiou o jornal Washington Post em novembro. Segundo o ex-secretário, a prática de levar suspeitos para locais onde os prisioneiros não estivessem cobertos pela legislação americana não é "nova nem desconhecida" na Europa. As declarações foram dadas depois que sua sucessora no Departamento de Estado, Condoleezza Rice, enfrentou duras críticas em relação à questão. Ela admitiu que suspeitos de atividades terroristas são levados para serem interrogados fora dos Estados Unidos, mas disse que isso é um "recurso legal". Rice ainda negou a prática de tortura. Mas Powell foi contrário à reação na Europa. "Muitos dos nossos amigos europeus não podem ficar chocados com esse tipo de coisa. O fato é que, nos últimos anos, nós temos mantido certos procedimentos para lidar com aqueles responsáveis por atividades terroristas, ou suspeitos", afirmou. "É um pouco como o filme Casablanca, onde o inspetor diz: 'estou chocado por esse tipo de coisa estar acontecendo'." |
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