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Comissário Europeu 'tentou dividir' G20 em Hong Kong | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, se reuniu nesta quinta-feira com os ministros do G20, grupo coordenado por Brasil e Índia, para tentar dissuadi-los a condicionar a abertura dos seus mercados de bens industriais e serviços aos avanços na área agrícola. “Foi uma coisa curiosa porque ele tentou dividir o grupo. Ele disse que a gente deveria pensar com cuidado nos nossos interesses defensivos”, contou o chefe da divisão de contenciosos do Itamaraty, Roberto Azevedo, que participou do encontro. “Ele disse que aqueles que têm interesses defensivos pensem bem, porque pode ser que eles (os europeus) atendam esses interesses. O curioso foi que a resposta do grupo foi muito unida.” A União Européia propõe um corte médio de 39% em suas tarifas de importação agrícolas. O G20, que oferece um corte médio de 54%, considera o percentual europeu “insuficiente”. A União Européia alega que seu corte já seria o suficiente, por exemplo, para aumentar a importação de carnes de 500 mil toneladas para 1,3 milhão de toneladas. Isso, segundo os europeus, daria espaço para ganhos em países como o Brasil, que é o maior exportador de carnes do mundo. “Nossa oferta daria novo acesso a mercado real e substancial. Não posso entender como as pessoas podem reclamar de que não estamos fazendo uma oferta séria”, disse, em uma coletiva de imprensa, Mariann Fischer Boel, comissária de Agricultura da União Européia. Esclarecimento Azevedo disse que o negociador europeu demonstrou apoio ao G20 para a redução dos subsídios domésticos – que são maiores nos Estados Unidos. Mandelson também quis “esclarecer” sua posição em relação aos subsídios à exportação. “Ele apresentou as dificuldades que tem para fixar a data de eliminação dos subsídios à exportação. Disse que não pode definir data do fim aos subsídios se não definir que tipo de subsídios são esses”, descreveu Azevedo. Amorim disse que o argumento é uma “falácia” porque todos os subsídios à exportação serão eliminados na mesma data independente do tipo. Os negociadores devem marcar, em Hong Kong, uma data entre março e abril para que se apresente um levantamento de todos os tipos de subsídios à exportação. Eles querem saber, por exemplo, até que ponto a ajuda de produtos alimentares concedida aos países pobres pelos Estados Unidos é subsidiada pelo governo. Pelos cálculos do governo brasileiro, a União Européia vende no mercado internacional, anualmente, 5 milhões de toneladas de açúcar com subsídio à exportação. Caso esses subsídios fossem retirados e o Brasil vendesse o seu produto, o ganho aos produtores do país seria de US$ 1 bilhão. Propostas Após uma longa reunião, que terminou no meio da madrugada de sexta-feira, em Hong Kong, os negociadores da Rodada Doha conseguiram dar um passo concreto ao colocar sobre a mesa três textos com propostas a serem aprovadas na Sexta Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC). O fato de colocar no papel tais propostas é considerado um passo importante na OMC já que muitas das propostas são às vezes verbais. Os textos referem-se aos seguintes temas: agricultura, Nama (bens industriais) e desenvolvimento (ajuda aos países pobres). Eles serão analisados nas sessões de trabalho de sexta-feira. |
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