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Na Colômbia, Lula defende integração sem hegemonia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira durante sua visita a Bogotá que o Brasil defende a integração dos países da América do Sul baseada na parceria e não na hegemonia. "A única possibilidade de consolidar a integração da América do Sul é acreditar na democracia como instrumento de relações internacionais, sem hegemonia de um país sobre o outro, independentemente de seu tamanho, de sua indústria, do seu PIB. A palavra hegemonia tem que ser abolida e no seu lugar ser colocada a palavra parceria", disse Lula depois do encontro com presidente colombiano Álvaro Uribe. "Quero reafirmar a determinação do Brasil para que a integração física (entre os países da América do Sul) se torne realidade", disse Lula. Para o presidente, como maior país da região, o Brasil tem mais responsabilidades com seus vizinhos. Ele citou, por exemplo, o desequilíbrio na balança comercial entre o Brasil e a Colômbia. "O Brasil não pode ter um superávit de US$ 900 milhões com a Colômbia", disse. O presidente também defendeu a política externa brasileira de buscar aprofundar as relações com todos os continentes. Mas disse que, no mundo globalizado, "quem não briga, fica atrás". OMC Falando sobre as negociações da OMC em Hong Kong, Lula afirmou que os países ricos, apesar de defenderem o comércio justo no discurso, se negam a conceder uma participação maior dos países em desenvolvimento no comércio mundial. "Não pelo valor econômico, mas pelo valor político", disse. "A América do Sul pode fazer no século 21 o que a Europa fez no século 19. Se acreditarmos, o século 21 pode ser o século da América do Sul", afirmou. Lula acrescentou que o Brasil não quer preterir os Estados Unidos, que definiu como um grande parceiro da Colômbia e do Brasil, nem a União Européia ou o Japão, mas defendeu uma ordem mundial sem "assimetrias". Boas notícias O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou ter recebido "boas notícias" ao sair do Brasil e ao chegar à Colômbia. Primeiro, ele mencionou a decisão do governo brasileiro de devolver ao FMI US$ 14 bilhões que só deveriam ser pagos em 2007. O presidente disse que a segunda boa notícia foi saber que o presidente Álvaro Uribe aceitou uma proposta européia de abrir negociações com as Farc para a libertação de reféns em troca da desmilitarização de uma área no sul do país. A terceira boa notícia, disse Lula em tom de brincadeira, foi a vitória do São Paulo Futebol Clube sobre o time Al-Ittihad, da Arábia Saudita, no Mundial de Clubes da Fifa, que está sendo disputado no Japão. O presidente Álvaro Uribe, por sua vez, disse que o Brasil é o melhor exemplo de uma política que combina consolidação de investimentos com políticas sociais. Uribe também agradeceu o colega brasileiro pela colaboração na luta contra o terrorismo. "Companheiro" Em um compromisso anterior em Bogotá, Lula teve um encontro com o prefeito de Bogotá, Luis Eduardo Garzón, que manifestou apoio à reeleição do presidente brasileiro. O prefeito disse "estar torcendo para que (Lula) vá o melhor possível nesta campanha". Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Ibope mostra o presidente atrás do prefeito José Serra, em um eventual segundo turno em 2006. O presidente retribuiu os elogios, chamando várias vezes de "companheiro Lucho" e "meu amigo" o prefeito, que foi adversário de Uribe nas eleições de 2002. "É com profunda emoção que recordo da nossa trajetória comum e das lutas que compartilhamos no movimento sindical", disse Lula. |
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